Política e Administração Pública

Funcionários de Jaqueline Roriz confirmam versão da defesa

Testemunhas disseram que verba da Câmara foi usada para pagar despesa com escritório político. Relatório deverá ser apresentado no dia 25.

11/05/2011 - 19:59  

Brizza Cavalcante
Williams Cavalcante de Oliveira  (Testemunha)
William Oliveira (E) disse que imóvel, de propriedade do marido de Jaqueline, foi cedido gratuitamente.

Dois funcionários da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) confirmaram nesta terça-feira (11), ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, a versão apresentada pela defesa, de que a deputada usou a verba indenizatória da Câmara para pagar o condomínio de imóvel usado como escritório político, o que seria permitido pelo Regimento Interno.

A sala comercial pertence ao marido dela, Manoel Neto, que foi convidado para depor também nesta quarta, mas não compareceu. O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PDT-BA), lamentou a ausência e a falta de poder do conselho para convocar testemunhas – o convite é facultativo.

No início da reunião, Araújo ressaltou que já existe uma proposta de emenda à Constituição (PEC 548/06), em tramitação na Câmara, que garante poder de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao conselho.

"Logicamente que a vinda dele [Manoel Neto] poderia facilitar a vida da Jaqueline com algumas informações. Mas isso não atrapalha em nada o relator, que está com toda a documentação", disse o presidente.

Depoimentos
As testemunhas, ouvidas a pedido da defesa, foram o coordenador do escritório político de Jaqueline, Williams de Oliveira, e o secretário parlamentar Leonardo Soares. Uma terceira funcionária, Keila Alves Franco, foi dispensada de depor, a pedido do advogado da deputada, Rodrigo Alencar.

Williams de Oliveira disse que o imóvel de propriedade do marido de Jaqueline foi cedido gratuitamente para servir de escritório político, sem cobrança de aluguel. A verba indenizatória só teria sido usada para pagar o condomínio.

Leonardo Soares afirmou que o escritório está em funcionamento desde janeiro deste ano, quando Jaqueline tomou posse na Câmara. Ele desmentiu denúncias publicadas na imprensa de que o imóvel estaria fechado. Soares disse que as fotos publicadas em jornais, mostrando uma sala vazia, são de um escritório vizinho ao de Jaqueline.

Brizza Cavalcante
Dep. Carlos Sampaio (PSDB-SP, relator)
Sampaio não fez perguntas: depoimentos seriam desnecessários para o processo.

Para o advogado da deputada, os depoimentos esclareceram as dúvidas sobre o suposto uso irregular da verba indenizatória. "[O uso da verba] está rigorosamente de acordo com as normas da Casa”, disse Rodrigo Alencar.

Relator
As testemunhas de defesa responderam perguntas do advogado de defesa e de conselheiros. O relator do processo, Carlos Sampaio (PSDB-SP), não fez questionamentos e disse não ver necessidade nos depoimentos dos funcionários.

O deputado ressaltou que já possui documentação farta sobre o caso, recolhida em outras investigações, como a da Polícia Federal. A entrega de seu relatório está prevista para o próximo dia 25.

"A defesa trouxe testemunhas de beatificação, como a gente chama no direito penal: aquelas que nada têm a ver, que não revelam fatos novos em relação à investigação", disse o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR).

Além do uso irregular da verba indenizatória, a deputada Jaqueline Roriz é investigada, no processo disciplinar, por ter recebido dinheiro de Durval Barbosa, operador e delator do esquema de corrupção conhecido como "mensalão do DEM”. Ela e o marido foram filmados recebendo recursos que, segundo ela, seriam doações não contabilizadas de sua campanha a deputada distrital, em 2006.

Reportagem - Idhelene Macedo / Rádio Câmara
Edição – Daniella Cronemberger

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