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Portal e-Democracia é relançado com bate-papo sobre diploma de jornalista

09/05/2011 - 19:43  

Laycer Tomaz
Paulo Pimenta
Pimenta: eleitores e deputados saem ganhando com interação na internet.

A Câmara relançou nesta segunda-feira (9), após reformulação, o portal e-Democracia. Um bate-papo com o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) reuniu internautas para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 386/09, que restabelece a exigência de diploma de curso superior de Jornalismo para o exercício da profissão.

Os internautas puderam enviar suas dúvidas e questionar o deputado, autor da proposta, sobre o texto, que está pronto para ser votado no plenário. Alguns demonstraram sua indignação com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que aboliu a exigência de diploma, enquanto outros defenderam que a medida seja estendida a mais profissões – 32 pessoas participaram do chat. “Chegou um momento em que os próprios participantes começaram a responder uns aos outros, um verdadeiro debate”, disse o deputado.

No portal e-Democracia, foi criada uma comunidade virtual para debater o tema. O objetivo é que os internautas possam publicar artigos contra e a favor da PEC, além de participar de fóruns, onde os bate-papos poderão ser aprofundados. “A ideia é que as pessoas participem das discussões e se preparem lendo os artigos antes de chegar a um chat, interagindo com os deputados o tempo todo”, explicou o coordenador do projeto, Cristiano Ferri.

Escolhido para reinaugurar o serviço, o deputado Paulo Pimenta está familiarizado com a internet e utiliza as redes sociais, como o twitter e o orkut, para divulgar seu mandato e interagir com os eleitores. “A dificuldade, quando começamos a utilizar a internet, era o internauta acreditar que estava falando com o deputado”, lembra Pimenta, que já teve de divulgar um vídeo online para provar que ele mesmo estava participando de uma discussão no orkut.

O parlamentar foi presidente da Comissão de Legislação Participativa no ano passado, encarregada de receber propostas da sociedade civil, e este ano está coordenando um grupo de trabalho sobre participação popular na Câmara.

O e-Democracia está sendo estudado pelo grupo como forma de aumentar a interação com o público, uma vez que o Parlamento possui muitos canais para ouvir a população, como o Disque Câmara (0800 619 619), mas poucos onde há interação. No novo serviço, diz o parlamentar, “o internauta recebe a resposta e o deputado se expõe para discutir com a sociedade. Todos saem ganhando.”

O novo portal está na fase final de testes e deve ser reinaugurado definitivamente no próximo mês. Além das comunidades já existentes, serão lançadas nos próximos dias uma da Comissão Especial de Combate às Drogas e outra sobre a PEC do trabalho escravo (438/01).

Debate
Formado em jornalismo, Pimenta notou, durante o bate-papo, que muitos internautas confundem os trabalhos de colunistas – que escrevem textos com opinião e não necessariamente são formados em Comunicação – e de jornalistas, que elaboram reportagens para o noticiário. “A essência do jornalismo é a informação. Defendemos que o profissional que trabalhe com a informação seja jornalista. Os colunistas são especialistas”, respondeu ele a uma internauta.

Segundo Pimenta, o mesmo equívoco foi uma das razões de o STF ter derrubado a exigência do diploma para o exercício da profissão. Uma decisão, disse ele, baseada num erro de interpretação. “E isso só mostra que precisamos debater mais a questão”, apontou.

Jornalistas e estudantes de comunicação foram os mais interessados no debate, que também incluiu blogueiros. Um deles manifestou preocupação com a aprovação da PEC, por acreditar que ele não poderia mais exercer sua atividade, uma vez que não é jornalista. O deputado explicou que a proposta regulamenta o exercício da profissão nos meios de comunicação (TV, rádio e jornal). A internet, segundo ele, estaria fora da exigência.

Reportagem - Marcello Larcher
Edição – Daniella Cronemberger

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