Tratamento para depressão pelo SUS é apontado como problema principal
13/05/2011 - 18:38
Entre as reivindicações para a melhoria do tratamento psiquiátrico no País, deputados citam como a principal conseguir atendimento na rede pública para pacientes com transtornos considerados mais leves, como a depressão. De acordo com o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), que foi secretário de Saúde de Minas Gerais de 2003 a 2010, nas camadas mais pobres o chamado transtorno leve “é uma epidemia que atinge quase 20% da população”, e o Sistema Único de Saúde (SUS) está “totalmente desguarnecido” para tratar do problema.
A deputada Erika Kokay (PT-DF) também chama a atenção para o fato e diz que é importante ter “atenção primária” em casos de saúde mental. “Não dá para tratar o transtorno já qualificado, é preciso dar espaço de fala aos pacientes”, defende.
Integrante da diretoria do Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Gustavo Couto afirma que a rede de atenção primária é um dos pontos que precisam ser aprimorados, assim como os atendimentos de urgência e emergência. “Há um estrangulamento, ainda não temos um modelo articulado que dê conta da saúde mental”, avalia. Outro aspecto fundamental, em sua opinião, ainda não resolvido é a reabilitação psicossocial. Para o especialista, é necessário criar mecanismos de geração de emprego e renda, e garantir a reintegração dos indivíduos no meio social.
Já o deputado Henrique Afonso (PV-AC) alerta para o que considera outro risco do sistema: passar do modelo “hospitalocêntrico” – que concentrava todo o tratamento nos hospitais – para o “captocêntrico” – que transfere totalmente aos CAPs a responsabilidade pelo atendimento aos doentes. Para Henrique Afonso, um modelo deveria, gradativamente, ser substituído pelo outro. “O Poder Público solta essas pessoas e as famílias não têm como lidar com elas”, avalia.
Reportagem – Maria Neves
Edição – Rosalva Nunes