Educação, cultura e esportes

Mundial impulsiona economia de país-sede, afirma estudo

15/03/2011 - 20:45  

Um estudo publicado em 2006 dá mais um bom motivo para a seleção brasileira tentar conquistar o título da Copa do Mundo de futebol em 2014. Entre as conclusões do levantamento feito por John S. Irons, PhD em economia pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), está a de que a conquista do título costuma alavancar o crescimento econômico do país-sede, que, em 2014, será o Brasil.

Irons analisou os mundiais realizados entre 1954 e 2002 e coletou dados sobre elevação ou queda do Produto Interno Bruto (PIBIndicador que mede a produção total de bens e serviços finais de um país, levando em conta três grupos principais: - agropecuária, formado por agricultura extrativa vegetal e pecuária; - indústria, que engloba áreas extrativa mineral, de transformação, serviços industriais de utilidade pública e construção civil; e - serviços, que incluem comércio, transporte, comunicação, serviços da administração pública e outros. A partir de uma comparação entre a produção de um ano e do anterior, encontra-se a variação anual do PIB.) nos países-sedes, antes, durante e depois de abrigarem o torneio.

Ao focar especificamente os mundiais da Inglaterra (1966), Alemanha (1974), Argentina (1978) e França (1998) – todos vencidos pelo país-sede –, Irons descobriu uma tendência: o chamado “efeito campeão”, com significativo crescimento econômico nos dois anos posteriores à realização da Copa.

O fenômeno foi especialmente representativo após a Copa da Argentina. Em 1978, o país, na época sob uma ditadura militar, registrou queda de 3,2% no PIB em relação ao ano anterior. A conquista da Copa pela seleção local foi usada politicamente como prova de sucesso nacional e, dois anos depois, a taxa de crescimento saltou para 4,2%.

Outra constatação de Irons foi a de que, em média, a taxa do PIB do país-sede tende a cair justamente no ano em que o evento é realizado. A explicação do pesquisador é que, nesses períodos, o anfitrião fica “distraído” com um mês de esporte. “Sediar uma Copa pode amortecer a economia se os cidadãos tirarem uma folga do trabalho para ver os jogos, seja no estádio ou pela TV.”

Prioridade
Em relação à Copa no Brasil, neste momento o foco do governo é aprovar o Projeto de Lei Complementar 579/10, que isenta de Imposto Sobre Serviços (ISS) todas as operações realizadas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) ligadas à Copa das Confederações de 2013 e ao Mundial de 2014. Essa isenção faz parte dos compromissos assumidos com a Fifa.

O projeto já foi aprovado pela Comissão de Turismo e Desporto e precisa ser analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ir ao Plenário.

Reportagem – Rodrigo Bittar
Edição – Ralph Machado

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