Política e Administração Pública

Centrais sindicais apontam truculência e radicalização do governo

17/02/2011 - 01:50  

Laycer Tomaz
A Força Sindical queria um salário mínimo de R$ 560 para este ano.

O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Antônio Neto, ressaltou que a condução da votação pelo governo surpreendeu pela “truculência”. “Normalmente, pela experiência de algum tempo, o governo manda um projeto para que ele seja analisado e aperfeiçoado pela Casa. Esse veio com determinação: é isso ou é isso. Não combina com esta Casa. E essa submissão tem um preço muito caro. Caro para o Congresso, que será cobrado pela sociedade, e para o governo, quanto à deterioração da relação com as centrais sindicais que ajudaram a elegê-lo", criticou.

O presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores, José Calixto, também reclamou da postura do governo nas negociações. "Nós tivemos três reuniões com o governo e eles ficaram de marcar uma quarta reunião e não fizeram. Fincaram pé. E nós não estávamos acostumados a trabalhar assim com o presidente Lula. Ele era um pouco mais acessível”, afirmou. Segundo ele, agora “houve uma radicalização muito grande”. “Eu espero que, pelo menos, a política de valorização permanente do salário mínimo, ela [Dilma] não despreze e passe a aprovar essa política no Congresso Nacional. A nossa luta vai continuar", disse.

Presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) foi o principal articulador do destaque derrotado que previa um salário mínimo de R$ 560. O parlamentar negou que esteja decepcionado. "Decepcionado não. Saímos de cabeça erguida porque fizemos aqui uma primeira batalha contra essa política de arrocho, que atrapalha a vida dos mais pobres. Resistimos, perdemos, mas estamos tranquilos. Ainda falta o Senado, vamos para o Senado. E voltaremos nos próximos dias com: correção da tabela do Imposto de Renda, fim do fator previdenciário, 40 horas semanais... Enfim, teremos muitas lutas pela frente", destacou.

Sobre a tabela do Imposto de Renda, Paulo Pereira anunciou que vai defender a correção de 6,46%, que foi a inflação do ano passado. No entanto, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), já avisou que, assim que o salário mínimo de R$ 545 for sancionado, o governo vai propor a correção de 4,5%.

Da Rádio Câmara/MR

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