Cidades e transportes

Associação diz que SC ainda tem desabrigados da enchente de 2008

18/11/2010 - 20:20  

Leonardo Prado
Lesboupin: se não mudarmos hábitos, as catástrofes serão cada vez mais frequentes.

A representante da Associação dos Desabrigados e Atingidos da Região dos Baús-SC (Adarb), Tatiana Reichert, disse que ainda existem desabrigados em decorrência das enchentes e dos deslizamentos que atingiram a região do Morro do Baú, em Santa Catarina, em 2008. “Pessoas aguardam uma nova casa, mas o governo as manda de volta para áreas de risco, contrariando laudos que mostram que os locais são inabitáveis”, afirmou, nesta quinta-feira, durante seminário, promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, sobre desastres socioambientais.

De acordo com Tatiana, ao ser questionado sobre o assunto, o governo local respondeu à Adarb que o Ministério da Integração teria liberado dinheiro para a construção de novas habitações, mas os recursos nunca chegaram.

Na última década, as catástrofes naturais atingiram pelo menos 5,2 milhões de pessoas no Brasil, com 1.168 mortes e prejuízo econômico superior a 3,5 bilhões de dólares (cerca de R$ 6 bilhões). As inundações são os episódios com maior número de registros no País; na sequência, aparecem escorregamentos, tempestades e secas.

Problemas
A professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Margareth Alheiros criticou a descontinuidade das ações de redução de risco das catástrofes e os longos prazos estabelecidos para a implementação de soluções. De acordo com a professora, outro problema é a falta de definição do papel de cada um dos órgãos do Estado, em âmbito nacional, estadual e municipal. “Isso prejudica o socorro quando os desastres acontecem”, disse.

Já Alexsandra Bezerra da Silva, moradora da região da Mata Sul, em Pernambuco, onde ocorreu uma grande enchente há cinco meses, questionou qual tem sido o destino das doações feitas por cidadãos à Defesa Civil. “Lemos nos jornais que os recursos estão sendo enviados à região, mas nunca vemos onde estão sendo aplicados. Até hoje nenhum município fez prestação de contas à população sobre a aplicação do dinheiro”, afirmou.

Ação humana
No seminário, os palestrantes defenderam a ideia de que os desastres socioambientas resultam sobretudo da ação humana sobre a natureza. Segundo o representante da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), Yvo Lesboupin, a atual noção de desenvolvimento tem provocado o esgotamento dos recursos naturais. “Ou mudamos a nossa concepção ou teremos cada vez mais catástrofes”, sustentou.

Reportagem – Lara Haje
Edição – Marcelo Oliveira

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