Política e Administração Pública

Bancadas que apoiam Dilma deverão ser maioria no Congresso no próximo ano

Projeções indicam crescimento dos aliados da candidata do PT tanto na Câmara quanto no Senado; PV e PSol podem ter crescimento expressivo, e PSDB também tem boa probabilidade de aumento, todos ancorados nas candidaturas à Presidência, mas cenário provável para outros partidos que fazem oposição ao atual governo é de queda.

01/10/2010 - 17:59  

As previsões de consultorias e especialistas em ciência política para as eleições deste domingo indicam crescimento maior no Congresso Nacional dos partidos que apoiam a candidatura de Dilma Rousseff, líder das pesquisas de intenção de voto, em relação aos partidos que dão suporte à candidatura do segundo colocado, José Serra.

Segundo os estudos, os partidos que apoiam Dilma Rousseff (PRB / PDT / PT / PMDB / PTN / PSC / PR / PTC / PSB / PCdoB), que hoje contam com 297 deputados e 41 senadores, podem eleger até 386 deputados e 58 senadores – crescimento máximo de 29,9% e 41,4%, respectivamente. Já os partidos que integram a coligação de apoio a José Serra (PTB / PPS / DEM / PMN / PSDB / PT do B), que têm hoje 156 deputados e 36 senadores, podem alcançar até 180 deputados e 34 senadores – crescimento máximo de 15,3% e decréscimo de 5,5%, respectivamente. Mas, enquanto os estudos indicam possível aumento da bancada do PSDB na Câmara, o cenário mais provável para DEM e PPS é de perda de vagas.

O PV, da candidata Marina Silva, que hoje conta com 14 deputados e um senador, pode ter até 25 deputados e manter a representação única no Senado, de acordo com as análises. Já o PSol, de Plínio de Arruda, com três deputados e um senador hoje, pode chegar a seis deputados e dois senadores. Os aumentos máximos são proporcionalmente maiores que aqueles da coligação de Dilma (78,5% na Câmara para o PV e 100% na Câmara e no Senado para o PSol), mas insuficientes para garantir o apoio da maioria. Os partidos dos demais candidatos à Presidência, que hoje não contam com representação no Congresso, podem eleger no máximo dois parlamentares, segundo os estudos.

Os cálculos citados foram elaborados pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a Patri Políticas Públicas, a Arko Advice e os cientistas políticos David Fleischer e Juliano Pires – este último, apenas para o Senado. As análises levaram em consideração fatores variados. A maioria dos especialistas, contudo, explica que as projeções têm por base os resultados dos partidos em eleições passadas, o perfil dos principais candidatos, a popularidade dos partidos, os recursos disponíveis para as campanhas, as parcerias com candidatos a cargos de eleição majoritária e as pesquisas eleitorais recentes.

Veja quadro com as previsões para as bancadas em 2011.

Popularidade de Lula
O principal motivo para o crescimento das bancadas aliadas ao atual governo e que apoiam a candidatura de Dilma, segundo o sócio e diretor de análise política da Arko Advice, Cristiano Noronha, é a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo governo conta com cerca de 80% de aprovação, conforme pesquisas recentes. "Muitos candidatos estão usando a imagem do presidente e a base aliada tende a surfar na onda do Lula", argumenta.

No entanto, para o cientista político e pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro Jairo Nicolau, essas previsões não passam de "chutes com bom senso".

O aumento dessa bancada poderá ser ainda maior se as urnas confirmarem a previsão do doutor em ciência política Alberto Carlos Almeida. Segundo ele, o PT, que hoje conta com 79 deputados, poderá eleger 130 parlamentares para a Câmara, ou 25,3% do total de deputados federais.

A projeção é baseada em uma suposta associação direta entre a quantidade de eleitores simpáticos ao partido e a proporção de deputados eleitos. Hoje, observa Alberto Carlos, a preferência em relação ao PT gira em torno de 25% dos eleitores - e poderia chegar a 30% nos dias mais próximos às eleições. Segundo o pesquisador, esse tipo de associação só teria validade para o PT devido à fidelidade eleitoral ao partido confirmada nas últimas cinco eleições.

Já as projeções de crescimento da Arko Advice, da Patri, do Diap e de David Fleischer para o PT são mais modestas. Os institutos preveem a eleição de 85 a 110 deputados petistas.

Reportagem – Carolina Pompeu
Edição – Marcos Rossi

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.