Eleição de Barack Obama mostrou força da campanha on-line
16/08/2010 - 16:30
A campanha eleitoral de 2008 nos Estados Unidos, que levou Barack Obama à presidência, mostrou as vantagens que um modelo descentralizado de campanha on-line é capaz de oferecer. Estima-se que o atual presidente norte-americano tenha recebido mais de 1,2 bilhão de dólares (cerca de R$ 2,1 bilhões) em doações pela rede mundial de computadores.
Durante a campanha, ele tinha cerca de 120 mil seguidores no Twitter (hoje são mais de 4,6 milhões), um grupo no Facebook com 2,3 milhões de membros e um vídeo no YouTube que teve 11 milhões de acessos. Esses números parecem baixos, se comparados ao alcance de uma mídia de massa, mas formam uma comunidade de pessoas altamente multiplicadoras e que, na contagem final, podem fazer a diferença.
Nas eleições de 2008, a internet também influenciou os meios de comunicação tradicionais, como a televisão e os jornais. Um exemplo é que, com parte do dinheiro arrecadado na web, Obama veiculou um comercial de 30 minutos nas três maiores emissoras de TV americanas.
No Brasil, a legislação passou a permitir que pessoas físicas realizem doações on-line durante as campanhas. Nos sites do PV e do PT, já é possível fazer esse tipo de doação para as candidaturas presidenciais.
“A importância de se ter doações de várias fontes, pequenas, mas variadas, é fundamental no aprimoramento da democracia. O candidato deixa de depender somente dos grandes doadores”, justifica o PV, em sua página na internet.
Outros partidos, por outro lado, anunciaram que não adotarão o sistema de doações on-line por causa das altas taxas cobradas pelas operadoras de cartão de crédito. As operadoras, por sua vez, justificam a cobrança a partir de estatísticas internacionais de inadimplência.
Ainda não se sabe o impacto do sistema de doações on-line no Brasil, mas dificilmente será parecido com o sucesso verificado na candidatura Obama. “Como no Brasil o tempo dos partidos é definido de acordo com o tamanho da representação que possuem na Câmara dos Deputados, a ideia de utilizar doações on-line para comprar mais tempo em veículos de comunicação de massa fica prejudicada”, diz o mestre em ciência política Francisco Brandão.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli