Meio ambiente e energia

ONGs criticam degradação promovida por produtor rural

14/07/2010 - 16:47  

Janine Moraes
Mantovani:da área original da Mata Atlântica, foram destruídos 93%, o que não significou aumento de produtividade.

No seminário sobre o Ano Internacional da Biodiversidade, o diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, alertou para a necessidade de mudar a cultura do produtor brasileiro, que, segundo ele, é baseada na degradação do meio ambiente. Mantovani disse não ser contra o manejo de regiões naturais, mas enfatizou que a biodiversidade deve agregar valor ao produto.

“Da área original da Mata Atlântica, foram destruídos 93%, o que não significou aumento de produtividade. Pelo contrário, há áreas de baixíssima produtividade”, disse Mantovani.

No seminário promovido pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o diretor-executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Silvestre e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, lamentou a situação do Paraná. A paisagem no estado, disse ele, é dominada pela monotonia da monocultura agrícola, com pequenos e grandes proprietários destruindo.

Já o assessor técnico da área ambiental da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) João Carlos de Carli rebateu as críticas de que os produtores destroem a natureza. Ele disse que o setor agropecuário pode ser considerado a peça mais importante na conservação dos biomas brasileiros, ajudando inclusive na fiscalização. “Ninguém mais do que o produtor rural depende da biodiversidade, que ajuda muito na sua produção. Quando se coloca que somente o produtor rural é desmatador, retira-se a parte econômica do tripé economia-ambiente-sociedade.”

Mantovani também criticou a falta de estudos e informações sobre os biomas brasileiros. No caso da Mata Atlântica, afirmou, há mais informações provenientes do exterior do que de instituições brasileiras.

Mudanças climáticas
No seminário também foram discutidos os impactos das mudanças climáticas na biodiversidade. O coordenador de Conservação da Biodiversidade da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, André Ferretti, observou que as espécies não conseguem se adaptar à velocidade das mudanças climáticas. A consequência é uma perda grande de biodiversidade. “Sofrem mais as espécies com ciclo longo de vida, como baleias e árvores”, disse.

Reportagem - Noéli Nobre
Edição - Regina Céli Assumpção

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