Bancos apresentam ações para diminuir impacto ambiental na construção civil
24/06/2010 - 15:04

Representantes de instituições financeiras e de desenvolvimento oficiais reconheceram, nesta quinta-feira, sua responsabilidade em relação ao financiamento de construções sustentáveis no Brasil. A construção civil representa 15,5% do Produto Interno Bruto (PIBIndicador que mede a produção total de bens e serviços finais de um país, levando em conta três grupos principais: - agropecuária, formado por agricultura extrativa vegetal e pecuária; - indústria, que engloba áreas extrativa mineral, de transformação, serviços industriais de utilidade pública e construção civil; e - serviços, que incluem comércio, transporte, comunicação, serviços da administração pública e outros. A partir de uma comparação entre a produção de um ano e do anterior, encontra-se a variação anual do PIB.) do País.
Em seminário sobre o assunto - promovido pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Desenvolvimento Urbano -, os responsáveis por programas ambientais do Banco do Brasil, Caixa, BNB e BNDES apresentaram ações para impulsionar a construção civil de menor impacto ambiental.
Na abertura do evento, os deputados Cassio Taniguchi (DEM-PR), 2º vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano, e Paulo Teixeira (PT-SP), um dos parlamentares que sugeriram o evento, ressaltaram a necessidade de discutir o assunto com especialistas e financiadores.
A importância das instituições financeiras, segundo Paulo Teixeira, reside justamente nos critérios que elas definem para a concessão de crédito para as construções. Os requisitos, acredita ele, criarão novos padrões para o setor, como iluminação natural, reaproveitamento de água e uso de energias limpas.
Setor habitacional
A Caixa Econômica Federal é uma das instituições que vêm incorporando medidas de economia de energia e dinheiro em seus programas habitacionais. No programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, por exemplo, existe a possibilidade de construir moradias com sistema de aquecimento solar da água.
A meta do banco é implantar, neste ano, esse tipo de aquecimento em 20 mil unidades dos 400 mil projetos em execução destinados à faixa da população que ganha de um (R$ 510) a três salários mínimos (R$ 1.530).
“Estamos não só garantindo a sustentabilidade, mas também reduzindo a conta dessas famílias. Com o uso de energia solar, a economia é de 30% na conta mensal de eletricidade”, diz a superintendente nacional da Caixa, Márcia Kumer. Ela lembrou ainda que a instituição também lançou o selo Casa Azul, para incentivar as construções sustentáveis.
A Caixa também exige o uso de madeira legal nos empreendimentos habitacionais que ela financia. De acordo com a norma, vigente desde julho de 2009, a empresa construtora deverá apresentar ao banco o documento de origem florestal da madeira utilizada até o fim da obra. O objetivo é evitar o desmatamento ilegal.
Atuação recente
O Banco do Brasil ingressou recentemente no financiamento do setor habitacional. Assim como na Caixa Econômica, os critérios de concessão de crédito da instituição também incluem requisitos ambientais, segundo o gerente-executivo da Unidade de Desenvolvimento Sustentável da instituição, Maurício Messias.
Mesmo o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), que não oferece crédito imobiliário tradicional, conforme ressaltou o presidente da instituição, Roberto Smith, tem procurado investir na construção sustentável, apesar de pouco representativa para o banco, que olha com interesse para a movimentação do setor em relação ao PIB.
“O nosso novo papel, que está sendo desenvolvido, diz respeito a soluções de financiamentos especiais para viabilizar a atuação de pequenas e médias empresas em empreendimentos habitacionais. Buscamos empresas com tecnologias sustentáveis e adequadas à habitação de baixa renda, para incentivar a construção sustentável e desenvolver a capacidade competitiva do setor”, explicou Roberto Smith.
O seminário prossegue nesta tarde, no plenário 2. Durante a manhã, o evento também contou com a participação do deputado Fernando Marroni (PT-RS), que presidiu parte dos trabalhos.
Reportagem - Noéli Nobre
Edição - Newton Araújo