Debatedores defendem atividades solidárias na recepção de calouros
18/05/2010 - 19:58
Participantes da audiência pública da Comissão de Educação e Cultura que discutiu os trotes violentos, nesta terça-feira (18), ressaltaram que o desafio hoje é transformar essa tradição em ações solidárias. O representante da Associação Brasileira das Universidades Comunitárias (Abruc), Luis Síveres, ressaltou a necessidade de mudar, inclusive, a terminologia. "O trote não cabe mais em uma sociedade inclusiva. É, por definição, uma atitude invasiva. Numa sociedade que propõe a inclusão de todas as formas, é preciso ressignificar o termo", ressaltou.
A representante do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, Carmem Luiza da Silva, ressaltou que, desde 2005, as universidades particulares recepcionam os calouros com atividades como doação de sangue e coleta de alimentos. "São atividades socialmente responsáveis. Hoje a luta é por uma sociedade colaborativa, cooperativa e não mais medieval, calcada no domínio de uns sobre outros", disse.
Para o chefe de gabinete da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, Ademir Figueiredo, o trote deve desaparecer gradativamente com a expansão do ensino universitário. "Quanto mais vagas de ensino superior são criadas, mais diminui a sensação de privilégio daqueles que estão dentro da universidade em relação aos que estão fora”, sustenta.
História
O procurador regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo Jefferson Aparecido Dias lembrou que essa prática teve origem na Idade Média, como medida de prevenção a doenças. "Na chegada à universidade, os novos alunos tinham os cabelos raspados e as roupas queimadas para não transmitirem eventuais doenças contagiosas aos demais", explicou.
Carmem Luiza da Silva destacou que essa atitude também tinha o propósito de reforçar a hierarquia vigente na sociedade da época. "Os calouros eram considerados feras que tinham de ser domesticadas pelos veteranos", apontou.
O termo trote, acrescentou Carmem, vem de trotar, modo de caminhar dos cavalos, que precisa ser ensinado. "Trata-se de uma prática de dominação com razões sociais da época. Hoje não se justifica, é totalmente condenável", disse.
Reportagem - Maria Neves
Edição – Daniella Cronemberger