Oposição e governo discordam sobre eficácia do reajuste do mínimo
05/05/2010 - 21:07
Nos debates em plenário, deputados da oposição e da base aliada ao Executivo discordaram sobre a eficácia do reajuste do salário mínimo para R$ 510, tema da Medida Provisória 474/09, aprovada nesta quarta-feira. Pela liderança do governo, Wilson Santiago (PMDB-PB) defendeu a MP; segundo ele, todos os números mostram que o poder aquisitivo da população melhorou muito ao longo do atual governo. Ele disse que a valorização real do mínimo nos últimos sete anos foi de 54%.
Já a oposição sustentou que o governo não deve comemorar, pois não cumpriu a promessa de dobrar o valor do mínimo. O líder da Minoria, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), afirmou que, mesmo contando com um crescimento econômico muito superior ao do governo anterior, o presidente Lula falhou em relação à expectativa que ele mesmo criou de dobrar o mínimo.
De acordo com o líder do PSDB, deputado João Almeida (BA), Lula não produziu um crescimento real significativo do mínimo, embora as condições o favorecessem, e ficou muito abaixo da "promessa fantasiosa" de dobrá-lo.
O deputado José Genoíno (PT-SP) contestou a oposição. "Temos sim muito a comemorar, porque estamos ao longo de oito anos aumentando o poder aquisitivo da grande maioria da população", afirmou. A valorização do mínimo, segundo ele, faz parte das políticas sociais para aumentar a renda dos brasileiros.
Evolução
O líder do PSB, deputado Rodrigo Rollemberg (DF), destacou a evolução de 30 milhões de brasileiros da classe D para a C, "graças à sensibilidade do presidente Lula e a políticas como a de valorização do salário mínimo".
Vanderlei Macris (PSDB-SP) disse que a valorização real do mínimo com Lula foi, em média, de 5,6% ao ano, só um pouco maior que a do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Porém, Lula enfrentou uma inflação menor e navegou sem crises, e por isso poderia ter dado um aumento maior", argumentou.
O líder do bloco PSB-PCdoB-PMN-PRB, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), disse estranhar as razões "de tantas críticas e tanto ódio" dos adversários do governo. "A oposição pode não gostar, mas vamos manter a política de valorização do poder de compra e construir um país desenvolvido, com distribuição de riqueza", concluiu.
Já o líder do Psol, deputado Ivan Valente (SP), disse que o valor de R$ 510 ainda é exíguo e fica muito longe de atender às necessidades básicas do trabalhador definidas pela Constituição.
Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – João Pitella Junior