Saúde

Câmara faz homenagem póstuma e relembra atuação de Zilda Arns

08/03/2010 - 13:21  

Janine Moraes
Sessão em homenagem a Zilda Arns coincide com o Dia Internacional da Mulher.

A Câmara realizou nesta segunda-feira sessão solene em homenagem à médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, que morreu vítima do terremoto que atingiu o Haiti em 12 de janeiro. Dra. Zilda, como era conhecida, pretendia implantar naquele país um braço internacional da Pastoral da Criança, movimento ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e que ela coordenou nos últimos 27 anos.

"Nossa homenagem não é apenas a uma cidadã brasileira, mas uma cidadã do mundo, uma pessoa ciente de sua responsabilidade para com o próximo", disse o presidente da Câmara, Michel Temer, em mensagem enviada ao Plenário. Já o vice-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), pediu que a Câmara formalize a candidatura de Zilda Arns para o próximo prêmio Nobel da Paz.

Ela foi indicada ao Prêmio Nobel em 2006, e a pastoral já foi indicada outras quatro vezes à premiação. Em 2002, Zilda se tornou Heroína da Saúde das Américas, título dado a ela pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para o coordenador da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), a metodologia comunitária criada pela Pastoral da Criança é importante porque alia a multiplicação de conhecimento à solidariedade entre as famílias mais pobres. Ele ressaltou que a frente perdeu uma aliada importante, que sempre emprestava seu prestígio à defesa do setor. Como homenagem, Perondi pediu à Câmara que aprove a regulamentação da Emenda 29, que trata da distribuição de recursos para a Saúde.

Dia Internacional da Mulher
O coordenador da Frente Parlamentar pelos Direitos da Infância e da Adolescência, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), disse que Zilda Arns é um exemplo para as mulheres brasileiras e que foi uma feliz coincidência que a homenagem tenha acontecido no Dia Internacional da Mulher. "Ela foi mãe, mulher, avó, médica, profissional e agente político transformador, que podem ser todas as mulheres brasileiras", disse.

O líder do PSDB, deputado João Almeida (BA), afirmou que a pastoral foi importante por formalizar um “enorme voluntariado” para o atendimento contínuo das crianças, em uma estratégia multiplicadora. Já o líder do PSB, deputado Rodrigo Rollemberg (DF), lamentou a perda dessa liderança, símbolo de um Brasil mais generoso e que precisa ser exaltado.

Janine Moraes
Homenagens ocorreram no Plenário da Câmara.

O deputado Alceni Guerra (DEM-PR), que foi ministro da Saúde e também é pediatra, lembrou os encontros que teve com a Dra. Zilda desde a atuação conjunta como médicos em Curitiba (PR) até o ministério, quando ela foi uma parceira importante. Para ele, Dra. Zilda sempre demonstrou interesse pelo lado terapêutico, mas principalmente pelo lado social, de integrar as famílias à saúde, para prevenir e salvar vidas.

O deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE) disse que Zilda Arns foi um exemplo para todos os defensores das ações sociais. Ele lembrou sua atuação na recente criação da Pastoral da Pessoa Idosa, em 2004, e cobrou do governo uma política pública mais consistente para essa faixa etária.

O deputado Pastor Pedro Ribeiro (PR-CE) destacou a importância da ação da pastoral na mudança da mentalidade sobre o tratamento das crianças, que resultou na melhoria da situação das comunidades mais pobres. "O Brasil melhorou nos últimos 25 anos, em matéria de saúde, e muito se deve à Pastoral da Criança", avaliou.

O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) ressaltou as palavras do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, que, ao saber da morte da irmã, disse que ela morreu da forma mais bonita: fazendo aquilo que acreditava. Hauly lembrou o início da pastoral, que começou no Paraná em 1983, quando ele era prefeito do segundo município a implantá-la, Cambé (PR).

Também prestaram homenagens os deputados Alfredo Kaefer (PSDB-PR), Mauro Benevides (PMDB-CE) e Íris de Araújo (PMDB-GO).

Reportagem – Marcello Larcher
Edição – Pierre Triboli

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