Câmara analisa dezenas de propostas sobre futebol brasileiro

Da Agência Câmara - 26/02/2010 - 09:58

A quatro anos de se tornar sede da Copa do Mundo, o País intensifica as discussões sobre a estrutura administrativa, fiscal e jurídica do futebol brasileiro. Há 15 propostas principais em tramitação na Câmara — às quais dezenas de outras estão apensadasTramitação em conjunto. Quando uma proposta apresentada é semelhante a outra que já está tramitando, a Mesa da Câmara determina que a mais recente seja apensada à mais antiga. Se um dos projetos já tiver sido aprovado pelo Senado, este encabeça a lista, tendo prioridade. O relator dá um parecer único, mas precisa se pronunciar sobre todos. Quando aprova mais de um projeto apensado, o relator faz um texto substitutivo ao projeto original. O relator pode também recomendar a aprovação de um projeto apensado e a rejeição dos demais. — que tratam da gestão do futebol, das verbas e benefícios fiscais dedicados ao esporte, dos direitos dos jogadores e dos deveres dos torcedores.

  Confira as propostas sobre:

     
  Verbas e benefícios fiscais  
  Jogadores  
  Torcedores  

Quatro delas tratam da gestão dos clubes. A mais recente, o Projeto de Lei 6606/09, enviado em dezembro pelo Senado, reacende o debate em torno do conceito clube-empresa.

Proposto pela CPI do Futebol, em 2000, o texto determina que os clubes de futebol profissional se transformem em sociedades comerciais. Um dos objetivos é garantir que os dirigentes sejam responsabilizados em caso de irregularidades na gestão. Todas as penalidades previstas na legislação – civil, penal, trabalhista, previdenciária, cambial e tributária – para diretores, sócios e gerentes de empresas passariam a ser aplicadas também aos dirigentes.

Atualmente, as entidades se organizam em associações sem fins lucrativos, estrutura que, além de garantir vantagens fiscais, facilita a impunidade. O advogado e especialista em direito desportivo Marcilio Krieger explica a diferença: “Na associação, o ‘lucro’ tem que ser revertido para o fundo e investido na própria entidade. Se houver ‘prejuízo’, os sócios não participam do rateio para cobrir a dívida.”

Na empresa, completa Krieger, o lucro é distribuído pelos sócios, o que gera responsabilidade. Em caso de prejuízo, a dívida também é dividida entre os sócios e os seus bens são usados como garantia para o pagamento. “Hoje, um dirigente gasta e não presta conta para ninguém. Se deixou de recolher INSS, Imposto de Renda, não acontece nada com ele”, afirma.

No Brasil, há quase 800 clubes profissionais de futebol. - Foto: Governo do Espírito Santo

Hoje, 783 clubes profissionais são cadastrados na Confederação Brasileira do Futebol (CBF), de acordo com levantamento de outubro de 2009. Krieger estima que só a dívida fiscal das entidades chegue a R$ 1 bilhão.

Além de tornar obrigatório o clube-empresa, a proposta do Senado também prevê medidas para garantir maior transparência nos gastos. O texto determina que as entidades publiquem balanços contábeis e patrimoniais anuais, após submetê-los a auditoria externa. Caso contrário, seus dirigentes ficarão inelegíveis por dez anos para disputar cargos em entidades desportivas.

Esse mesmo período de inelegibilidade é previsto para dirigentes condenados por crime doloso (em sentença definitiva); falidos; inadimplentes na prestação de contas; ou afastados de entidade desportiva em razão de irregularidade na gestão financeira ou patrimonial.

Outras três propostas em tramitação alteram a estrutura administrativa do esporte. O substitutivo do deputado José Rocha (PR-BA) ao Projeto de Lei 5186/05, que muda a Lei Pelé, foi aprovado pelo Plenário no dia 9 de fevereiro, mas a votação ainda não foi concluída, pois não se chegou a um acordo sobre todos os destaques apresentados ao texto.  Ele define novas regras para o relacionamento profissional entre atletas e entidades desportivas.

Já o PL 959/07, do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), proíbe dirigentes de atuar como empresários de atletas – o texto aguarda parecer da CCJ. E a proposta mais antiga é também a mais ampla: o PL 4874/01 cria o Estatuto do Desporto, que define responsabilidades dos dirigentes desportivos e a organização das entidades. O texto, do deputado Silvio Torres (PSDB-SP), aguarda votação em Plenário desde 2007.

Excesso de propostas

Para Marcilio Krieger, a diversidade de temas contribui para a fragmentação da legislação do setor e até para a contradição entre as leis. “Por um erro de avaliação do Legislativo e da própria comunidade esportiva, a preocupação é com o futebol e não com o desporto”, afirma.

Ele defende que o País precisa de uma norma geral que sirva para todos os esportes e que contribua para uma política de formação do atleta a longo prazo. “Uma lei que crie mecanismos de austeridade administrativa e de transparência”, aponta.

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