CPI quer apoio federal para apurar morte de testemunhas no AM
19/11/2009 - 19:22
O relator da CPI da Violência Urbana, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), vai pedir ao Conselho Nacional do Ministério Público, ao Conselho Nacional de Justiça e ao ministro da Justiça, Tarso Genro, apoio para a apuração de crimes praticados por quadrilha do ex-deputado estadual Wallace de Souza, do Amazonas.
Paulo Pimenta esteve em Manaus na quarta-feira (18) para apurar o caso do ex-deputado, cassado por suspeita de envolvimento no assassinato de 9 pessoas. Wallace Souza e seu filho Raphael são acusados de participar de uma organização criminosa que usava a estrutura da Polícia Militar para vender drogas, extorquir e matar.
No último mês, desde que Wallace foi preso e as investigações do Ministério Público e da Polícia Civil avançaram, seis testemunhas de crimes atribuídos ao ex-deputado e sua quadrilha foram assassinadas.
As seis vítimas eram supostos traficantes e pistoleiros ligados ao grupo do ex-deputado. Delas, cinco foram assassinadas após prestar depoimento. A sexta, Marcos Paulo Barroso, é a única que nem estava na lista de pessoas a ser ouvidas.
Ordem para matar
A polícia suspeita que Wallace e seu filho tenham ordenado os assassinatos de dentro do Batalhão de Polícia de Choque, em Manaus. O Ministério Público e a Polícia Civil acusam Wallace de aproveitar informações sobre quem ia ser morto para exibir os crimes num programa policial de tevê, apresentado pelo próprio ex-deputado.
O deputado Paulo Pimenta considerou o caso muito grave e disse que outras autoridades podem estar envolvidas com a quadrilha. "Trata-se de um caso muito maior, uma organização criminosa que tem forte presença no tráfico de drogas, influência comprovada dentro da estrutura policial no estado, com espaços na mídia, e que exige inclusive uma investigação sobre a possibilidade de comprometimento de segmentos do Judiciário e do Ministério Público."
Impunidade
De acordo com o parlamentar, a organização criminosa atua há vários anos no município e na região, "e tornou o episódio de uma gravidade muito maior pois, em função da sua ousadia e do seu sentimento de impunidade, passou a assassinar testemunhas."
Segundo o relator, a quadrilha passou a afrontar e ameaçar as autoridades envolvidas na investigação, tanto policiais como a integrantes do Ministério Público ou do Judiciário.
Paulo Pimenta informou que a CPI da Violência Urbana vai preparar duas fases de audiências relativas ao caso, uma delas em Brasília, e outra no Amazonas, no próximo mês.
Reportagem – Paulo Roberto Miranda/Rádio Câmara
Edição - Newton Araújo
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