Magessi adverte que violência no País pode se equiparar à do Rio
11/09/2009 - 10:23
Eleita por unanimidade presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, a deputada Marina Maggessi (PPS-RJ) alertou, em entrevista à Agência Câmara, que, se não houver mudanças na concepção de segurança pública, a violência no Brasil alcançará no futuro o nível da violência atual no Rio de Janeiro.
A deputada avalia que sua escolha para a presidência da comissão é um reconhecimento de seu trabalho no setor. Para ela, o grande gargalo da segurança pública é a falta de recursos.
Marina Maggessi é a primeira mulher a ocupar a presidência da comissão. A deputada é jornalista de formação e atuou como inspetora na Polícia Civil do Rio de Janeiro por mais de 18 anos, onde conquistou o posto de chefe da Coordenadoria de Inteligência.
Agência Câmara - Como a senhora pretente conduzir os trabalhos na comissão?
Marina Maggessi - Continuarei o trabalho que eu vinha fazendo como integrante da comissão. Ou seja, pretendo mostrar o que acontece no dia-a-dia da polícia e que o crime organizado hoje é composto por um monte de moleques, que os traficantes controlam a venda de drogas de dentro dos presídios e que há muita conivência. Vou mostrar que prisão federal nada mais é do que a federalização do crime e o maior absurdo que existe hoje no Brasil. Procurarei fazer com que as autoridades dos estados falem a verdade. Serei o contraponto do discurso dessas autoridades, mostrando que os policiais são mal pagos e saem das mesmas comunidades que os bandidos, com a diferença de que estes últimos têm uma profissão, escola, mas enfrentam os mesmo problemas. É tudo uma guerra de pobre contra miserável. Também vou buscar uma interação com as comissões de Segurança Pública das assembléias legislativas, a começar pela da Bahia. Também quero priorizar a apreciação de matérias que envolvam mulheres e crianças.
Agência Câmara - Qual será sua primeira ação como presidente?
Marina Maggessi - Desde o início de setembro, dezenas de postos policiais, carros oficiais, ônibus e prédios públicos foram queimados por grupos crimininosos na capital baiana. Policiais militares também foram baleados durante os ataques e seis suspeitos morreram. Os atentados podem ser uma reação à transferência de um traficante para Campo Grande, capital sul-matogrossense. O colegiado irá acompanhar de perto os episódios de violência registrados nos últimos dias na Bahia.
Agência Câmara - De que forma?
Marina Maggessi - Um grupo de parlamentares vai até Salvador discutir e colaborar na busca por soluções para o caso. Vamos enfrentar este assunto e quero ver autoridade vir dizer que está tudo resolvido. Eu conheço o que está por trás de um criminoso e como funcionam essas situações. Salvador é muito parecida com o Rio. Essa política do mata e prende nunca deu certo. Os pobres foram levados para a margem da cidade e estourou a violência.
Agência Câmara - O que deve efetivamente ser feito para reforçar a segurança pública no Brasil? Reportagem - Luiz Paulo Pieri
Marina Maggessi - Garantia de Orçamento para o setor, uma vez que o orçamento da segurança pública é o primeiro lugar de onde tiram dinheiro.
Edição - Maria Clarice Dias
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