Abrinq e psicóloga divergem sobre impacto da publicidade infantil
18/06/2009 - 13:51
O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, afirmou que é contra a proposta de proibição da publicidade de produtos infantis (substitutivo ao PL 5921/01). Segundo ele, a indústria de brinquedos não abusa da inocência das crianças e obedece às leis brasileiras. As declarações foram feitas em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara, que discute o projeto.
Costa disse que cabe à indústria de brinquedos "miniaturizar" o mundo adulto para a criança, o que vai ajudar a preparar o seu futuro. Ele ressaltou, no entanto, que há 50,4 milhões de crianças no Brasil e, desse total, 21 milhões não têm brinquedo.
A psicóloga Roseli Goffman, representante do Conselho Federal de Psicologia na audiência, disse que a publicidade gera frustração nessas 21 milhões de crianças que não têm brinquedo. Para ela, essa frustração e os conflitos familiares dela resultantes são formas de violência contra a criança.
Alerta contra restrição
Em relação ao projeto que proíbe a publicidade infantil, o vice-presidente-executivo do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), Edney Narchi, disse que está especialmente preocupado com o artigo que proíbe a participação de crianças em qualquer tipo de publicidade, e não apenas na de produtos de que podem fazer mal à saúde, como medicamentos e bebidas.
Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), Rafael Sampaio, o projeto não combateria problemas como o consumo excessivo ou a obesidade infantil, que são "complexos e multifacetados".
A audiência prossegue no plenário 5. Reportagem - Paula Bittar/Rádio Câmara
Edição - Pierre Triboli
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