Relações exteriores

Falta cooperação entre América Latina e Europa, dizem especialistas

17/06/2009 - 20:47  

Participantes do 16º Fórum Brasil-Europa criticaram hoje, na última mesa de debates, a falta de cooperação entre países europeus e da América Latina. A jornalista alemã e chefe de Política Internacional do "Die Welt" de Berlim, Hildegard Stausberg, afirmou que a América Latina não é a prioridade da política exterior da Europa e avaliou que há poucos resultados no diálogo entre os dois continentes. Já o diplomata e professor universitário Paulo Roberto Almeida afirmou que a cooperação internacional para o desenvolvimento tem sido um fracasso.

Stausberg relatou que, nos últimos anos, o interesse da Alemanha se concentrou no Brasil. Para os alemães, o Mercosul não se desenvolveu como poderia e, hoje, na melhor das hipóteses, não passaria de um mito. Na pior, seria "um cadáver político".

A jornalista disse não entender como o público brasileiro ainda considera o Mercosul fundamental para a sua política externa, e afirmou estar "chocada com a falta de solidariedade do Brasil e da Argentina com a oposição venezuelana". Para ela, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso "tinha mais talento para tratar os países vizinhos de forma apropriada".

Já o diplomata Paulo Roberto de Almeida disse que não acredita na cooperação internacional como caminho para o desenvolvimento. Segundo ele, a história mostra que os poucos países que conseguiram "decolar" não o fizeram graças a essa cooperação. Ele considerou que a África, uma das regiões mais duramente atingidas pelo subdesenvolvimento, está pior hoje, no plano das instituições, do que nos tempos do colonialismo. E que a América Latina está perdendo terreno para a Ásia, no campo do comércio internacional.

Defesa do Mercosul
O presidente da Representação Brasileira na Parlamento do Mercosul, deputado José Paulo Tóffano (PV-SP), também participante da mesa, rebateu as críticas ao Mercosul. Ele comparou a experiência de mais de 50 anos da União Europeia com os esforços ainda recentes de integração do Mercosul, que tem apenas 18 anos. Ele lembrou que, enquanto o Parlamento Europeu realiza eleições diretas há pelo menos 30 anos, o Mercosul ainda não tem representantes eleitos diretamente no Brasil nem na Argentina.

"O excesso de pragmatismo pode ser nocivo. É preciso ter uma perspectiva mais holística", afirmou o deputado.

Para ele, isolar a Venezuela, assim como foi feito com Cuba, não vai tornar o seu governo mais democrático. "Não se trata de apoiar Chávez ou o seu governo: é a participação da Venezuela, como grande país do norte do continente, que contribuirá para dar uma dimensão nova ao Mercosul."

"Promessas eleitorais"
Quanto a alguns países vizinhos que pretendem obter vantagens em relação ao Brasil, Tóffano disse que se trata, muitas vezes, de promessas feitas em campanhas eleitorais e que precisam ser levadas adiante para dar uma resposta aos eleitores. Esse seria o caso das reivindicações paraguaias em relação a Itaipu ou de algumas restrições da Argentina a produtos brasileiros.

Para Tóffano, o Brasil às vezes precisa ceder, "para não sermos vistos pelos nossos vizinhos como nós víamos os americanos". Entre os temas importantes para a agenda externa do Brasil e já inscritos na pauta do Mercosul, Tóffano destacou a gestão integrada dos recursos hídricos, pela grande quantidade de rios que atravessam os países da região.

Continua
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Reportagem – Rejane Xavier
Edição - Pierre Triboli

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