Deputados cobram incentivo tributário para a indústria de aviação
30/04/2009 - 19:32
Frente parlamentar visitou a sede da Embraer e recebeu explicações sobre demissão de trabalhadores da empresa.
O coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Aeronáutica Brasileira, deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), disse que o grupo vai pedir ao governo a criação de incentivos tributários para a fabricação de peças de avião no Brasil. O setor está com dificuldades para concorrer com empresas estrangeiras, que têm total isenção de impostos para os componentes importados pela Embraer.
"Se os fornecedores brasileiros tivessem igualdade de condições com os estrangeiros, o setor poderia crescer e gerar muito mais empregos no País. É inadmissível manter privilégios contra a indústria nacional", afirmou Ortiz.
Catorze deputados estiveram na quinta-feira (29) na sede da Embraer, em São José dos Campos (SP), para discutir com os dirigentes da empresa a demissão de cerca de 4,2 mil trabalhadores anunciada em fevereiro. A delegação foi recebida pelo presidente da companhia, Frederico Curado. Segundo ele, cerca de 800 demitidos já foram recolocados, com apoio da Embraer, em empresas que fornecem componentes de aviação.
De acordo com Ortiz, os dirigentes da empresa ainda consideram que é cedo para falar em readmissões. Porém, segundo ele, a avaliação é a de que a crise econômica, que atingiu a empresa em cheio, não será duradoura. "Assim que a situação se normalizar, eles querem trazer os funcionários de volta, principalmente os que não conseguiram um novo emprego", afirmou o deputado.
Lucro
A Embraer anunciou hoje um lucro de R$ 38,3 milhões no primeiro trimestre deste ano, valor 74,8% inferior ao período equivalente de 2008. O resultado, porém, é bem melhor que o apurado nos três últimos meses de 2008, quando a companhia registrou prejuízo de R$ 40,6 milhões.
Os parlamentares, que passaram o dia na planta da Embraer, ouviram explicações sobre a rigidez do mercado e a organização necessária para produzir os aviões. As aeronaves são feitas sempre por encomenda, e por isso não há estoque nem possibilidade de manter o ritmo de atividade em um contexto de cancelamento de pedidos.
"A empresa fez contratações com a expectativa de fechamento de pré-contratos, que foram cancelados por causa da crise. Por isso, a Embraer ficou com excedentes de funcionários e não teve alternativa a não ser demiti-los", disse Marcelo Ortiz. Segundo ele, o desligamento aconteceu "da forma menos agressiva possível". "Os funcionários receberam três salários a mais e foram mantidos no plano de saúde por seis meses após o fim do contrato de trabalho", afirmou.
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Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição – João Pitella Junior
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