Política e Administração Pública

Diretor da PF classifica atuação de Protógenes como desleal

15/10/2008 - 22:15  

O diretor de Inteligência da Polícia Federal, Daniel Lorenz Azevedo, classificou como desleal a atuação do delegado Protógenes Queiroz na operação Satiagraha . Lorenz foi ouvido nesta quarta-feira pela CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas. Ele adverte que as prisões feitas durante a operação poderão ser contestadas judicialmente pelos acusados, pois não respeitaram as regras do manual operacional da polícia.

Protógenes Queiroz era o delegado responsável pela Operação Satiagraha, que prendeu, em julho deste ano, o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, além do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Najas e outras 14 pessoas.

Lorenz disse que o delegado não informou à direção da PF que os agentes da Abin participariam das ações. Segundo ele, Queiroz apresentava os agentes da Abin como técnicos da Receita Federal. "Nos chocou a forma desleal com que ele se portou em relação ao departamento da Polícia Federal, em relação a mim, como diretor de Inteligência e, principalmente, em relação aos seus comandados, com quem compartilhava informações e trabalho. Isso parece mais uma conspiração", afirmou.

Acareação
Para Domingos Dutra, a CPI não chegará a resultado algum sobre o caso se não conseguir esclarecer as contradições sobre o caso entre agentes públicos. "Se for confirmado tudo o que o doutor Daniel Lorenz disse, a operação Satiagraha estará prejudicada e o senhor Daniel Dantas vai anular tudo o que foi feito na Justiça", avisou.

Ele informou, durante o depoimento , que vai apresentar um requerimento para propor uma acareação entre Protógenes Queiroz, Daniel Lorenz, o diretor afastado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Jorge Armando Félix.

Apoio informal
Segundo denúncias apuradas pela CPI, a operação teve o apoio informal de 56 agentes da Abin, chefiada à época por Paulo Lacerda. Ele foi afastado do comando da Abin depois das denúncias do envolvimento dos agentes em um suposto grampo nos telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Segundo Lorenz, o número de agentes da Abin envolvidos na Satiagraha pode, no entanto, ser ainda maior.

Domingos Dutra lembrou que o delegado Protógenes declarou à CPI que não teve o apoio da Polícia Federal, e, por isso, recorreu à Abin. Protógenes chegou a informar que não precisava de formalização para obter a cooperação de outros órgãos. Paulo Lacerda e o general Félix confirmaram a versão de Protógenes. "E, hoje, o doutor Daniel Lorenz desmontou tudo isso".

Na avaliação do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), a incompetência dos agentes públicos pode, às vezes, ser mais grave do que a corrupção. Para ele, é importante saber quais os desdobramentos da Operação Satiagraha. "Seguramente, todos esses questionamentos estão sendo acompanhados pelos advogados de Daniel Dantas. Não se trata aqui de julgar ou absolver o delegado ou Daniel Dantas. O que a gente espera é que não se comprometa a essência da investigação", afirmou.

Confira os depoimentos anteriores da CPI

Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - Maria Clarice Dias

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