Política e Administração Pública

CPI tem depoimentos sobre Operação Furacão e PCC

09/06/2008 - 13:02  

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas agendou para esta semana os depoimentos de dois delegados da Polícia Federal (PF) que atuaram na Operação Furacão (Hurricane) e também da ex-mulher de um policial civil acusado de extorquir dinheiro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Nesta terça-feira (10), será ouvido novamente o chefe da Divisão de Operações de Inteligência da Polícia Federal, delegado Élzio Vicente da Silva. O delegado
prestou depoimento no dia 20 de maio, mas se limitou a dar explicações de caráter técnico sobre as investigações da PF.

A deputada Marina Maggessi (PPS-RJ) propôs a convocação do delegado para obter mais esclarecimentos sobre as operações feitas pela PF com o uso de grampos. Élzio Vicente da Silva é autor do relatório final da Operação Furacão, que investigou uma quadrilha envolvida na exploração de jogo ilegal e na corrupção de agentes públicos. A deputada considerou que as escutas feitas nessa operação induziram a erros que incriminaram pessoas.

Em 2007, um dos documentos relativos à Operação Furacão foi divulgado à imprensa e apontou a própria deputada como suposta beneficiária do esquema. Ela negou as acusações e apontou má-fé na investigação feita pela PF.

Além de Élzio Vicente da Silva, a CPI ouvirá nesta terça-feira o delegado Alessandro Moretti, que foi comandante da Operação Furacão.

Durante a reunião, os integrantes da CPI também vão definir que medida jurídica será adotada com relação ao não-comparecimento do delegado-adjunto da Divisão Anti-Seqüestro da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Antônio Teixeira Alexandre Neto. O delegado é acusado de ter proposto a instalação de grampo clandestino no escritório de advocacia de Octavio Augusto Brandão Gomes, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio.

A reunião de terça-feira será realizada às 14h30, no plenário 9.

Grampos e PCC
Na quarta-feira (11), a CPI ouvirá Regina Célia Lemes de Carvalho, ex-mulher do policial civil Augusto Peña, que é investigado por suspeita de utilizar grampos telefônicos clandestinos para tentar extorquir dinheiro de integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Regina foi chamada para depor porque entregou ao Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), formado por promotores de Justiça de São Paulo, cerca de 200 CDs com gravações de escutas feitas por Augusto Peña.

Em 30 de abril deste ano, Peña foi preso sob acusação de ter seqüestrado Rodrigo Olivatto de Morais, enteado do suposto líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. O seqüestro teria ocorrido em março de 2005. Na ocasião, o policial teria exigido R$ 300 mil para não prender o enteado de Marcola.

Penã é lotado na Divisão de Investigação de Crimes contra a Fazenda do Estado de São Paulo. No último dia 12 de maio, ele foi indiciado sob as acusações de seqüestro e concussão (extorsão praticada por funcionário público). O policial teria negado a participação nos crimes. O depoimento da ex-mulher do policial foi solicitado pelo relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA).

A reunião de quarta-feira está marcada para as 14h30, no plenário 8.

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Da Redação/PT

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