Meio ambiente: Debate enfoca crescimento com qualidade
05/06/2008 - 17:38
O Brasil precisa crescer, mas com qualidade, incorporando à cultura do desenvolvimento três importantes dimensões: a sustentabilidade socioambiental; a distribuição de renda, com combate às desigualdades e à miséria; e a ampliação das conquistas democráticas dos últimos 30 anos.
Essa foi a essência da palestra feita, nesta manhã, pelo secretário de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Hamilton Pereira, no Encontro sobre Governança e Sustentabilidade, promovido pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara. Participam do evento, além de deputados, ambientalistas, cientistas, empresários e representantes de organizações não-governamentais (ONGs). O evento prossegue nesta tarde.
Modelo ultrapassado
Ao abrir o encontro, o presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado André de Paula (DEM-PE), disse que "a gravidade dos problemas ambientais não admite mais delongas". Segundo o parlamentar, é preciso superar o modelo "predatório e insano" de desenvolvimento, que vem da revolução industrial, e impor, com rapidez, mudanças nas formas de produção e de consumo, para construir uma sociedade mais humana.
Hamilton Pereira enfatizou que a política socioambiental para os próximos anos não pode ignorar que o Brasil voltou a crescer, após duas décadas de estagnação econômica, gerando novas pressões sobre os ativos ambientais. "Recusamos o dilema que opõe desenvolvimento à proteção ambiental. Ele é falso, imposto pelos países capitalistas centrais, que equacionaram o problema da pobreza dos seus cidadãos às custas da exploração dos recursos naturais dos países do hemisfério sul", disse o representante do Ministério do Meio Ambiente.
"A lógica do lucro imediato, que preside a ação do mercado, não se responsabiliza pelos brasileiros que virão", afirmou Pereira, chamando a atenção para a urgência de planejar a construção do futuro.
Também presente ao debate, o gerente de Meio Ambiente da Caixa Econômica Federal (CEF), Jean Rodrigues Benevides, destacou o novo modelo de gestão do banco que busca a responsabilidade ambiental também na concessão de empréstimos. Benevides explicou que, desde julho do ano passado, os financiamentos concedidos pela CEF passaram a ser avaliados não só do ponto de vista econômico, mas também sob a ótica dos resultados socioambientais.
Cooperação
O coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), defendeu a aprovação do Projeto de Lei Complementar 12/03, de sua autoria, que regula a cooperação entre os entes federativos - União, estados, Distrito Federal e municípios - na área ambiental. Para ele, o reforço da cooperação entre essas esferas da administração pública é essencial para a preservação do meio ambiente. Ele também ressaltou a importância de celebrar parcerias de boa governança estabelecidas entre o Poder Público e empresas privadas.
O diretor de Mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, lembrou que, desde a aprovação da Lei da Mata Atlântica (11.428/06), há dois anos, houve uma reversão de 70% na devastação desse bioma. Para Mantovani, essa é a prova de que vale a pena enfrentar as resistências de setores predatórios da economia, e de que a boa governança é possível. "Não precisamos ficar só no discurso, podemos fazer com que os 7% da Mata Atlântica que restaram sirvam ao bem público, melhorando a qualidade de vida das pessoas", afirmou.
A representante do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Beatriz Bulhões, disse que a boa governança ambiental pressupõe o engajamento de toda a sociedade, e responsabilidades compartilhadas entre o governo e o setor privado. Ela enfatizou a necessidade das instituições, públicas e privadas, internalizarem a consciência ambiental em suas estruturas. "Já temos alguns resultados a comemorar, mas há muito a mais a ser feito", resumiu.
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Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição - Natalia Doederlein
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