BNDES diz que não dará recursos para Oi comprar BR Telecom
04/06/2008 - 21:15
Em audiência pública que discutiu a compra da Brasil Telecom pela Oi, o chefe de gabinete da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Mattos, garantiu nesta quarta-feira que o BNDES está envolvido apenas na reestruturação societária da Oi, algo diferente da compra da Brasil Telecom pela Oi.
Ele ressaltou que estão incluídos na operação apenas valores mobiliários, ou seja, o banco não está emprestando recursos ao grupo, mas realizando uma operação de mercado de capitais. Além disso, esses valores se limitam à reestruturação societária da holding, o que significa que o BNDES não aporta recursos para a compra da Brasil Telecom pela Oi.
Controle acionário
Mattos lembrou que o banco tem parte do controle acionário da Oi desde a época da privatização, por meio da BNDESPar, com aproximadamente 25% do capital. Por esse motivo, o BNDES participa necessariamente de qualquer decisão que envolva reestruturação societária ou participações acionárias — fusões ou aquisições do grupo.
O superintendente da Área de Mercado de Capitais do BNDES, Caio Marcelo de Medeiros Melo, lembrou que o objetivo da reestruturação societária do grupo Telemar Participações (controladora da Oi) é aumentar o valor da companhia em 25%.
Ele destacou que "a perspectiva de compra da Brasil Telecom acelerou a negociação entre os sócios privados para as mudanças no grupo e o alinhamento dos acionistas em torno de uma estratégia de crescimento". Caio Medeiros enfatizou que a compra da Brasil Telecom será bancada exclusivamente pela Telemar Participações. "Essa transação não contará com recursos do BNDES, pois não haverá uma operação de crédito", afirmou.
Recursos próprios
Medeiros explicou que os recursos para a reestruturação da Telemar Participações são da própria BNDESPar, obtidos com suas operações acionárias. "Esses valores não têm relação com as verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou com o dinheiro destinado a projetos sociais", assegurou.
Ele informou que a BNDESPar leiloará 45% de suas ações — cerca de 15% das ações do grupo — na Telemar Participações. Medeiros esclareceu que o acordo de acionistas permitirá ao BNDES o veto a determinadas transações, especialmente a venda e qualquer operação que acarrete a perda de controle do banco sobre a concessionária.
Concorrência
O deputado Ivan Valente (Psol-SP) disse não entender por que o setor público, no caso o BNDES, resolveu diminuir o investimento no grupo Telemar, ao invés de investir mais e tornar-se majoritário. "Se o governo quer criar uma empresa nacional para concorrer com duas megaempresas privadas, o BNDES, o Banco do Brasil e os fundos de pensão poderiam deter o capital majoritário em vez de emprestar recursos para o setor privado", defendeu.
Para o deputado, não há nenhuma garantia de que nos próximos anos não haja uma fusão entre essa companhia e suas concorrentes, o que prejudicaria os consumidores e o mercado.
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Reportagem - Cristiane Bernardes.
Edição - Newton Araújo Jr
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