Direitos Humanos

Brasil quer fortalecer desenvolvimento para Grupo dos 77

08/04/2008 - 20:30  

A participação do Brasil na 12ª reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que será realizada em Accra, Gana, entre 20 e 25 de abril, deve ser marcada pela defesa de um acordo sobre metas de desenvolvimento para países que integram o Grupo dos 77.

O grupo foi criado em 1964, quando 77 países em desenvolvimento adotaram, na conclusão da 1ª Conferência da Unctad, uma declaração conjunta. O Grupo dos 77 afirma ser comprometido com o desenvolvimento internacional conjunto e com os compromissos multilaterais, incluindo as iniciativas voltadas para erradicação da pobreza.

Porta-voz desse grupo de países em desenvolvimento, o Brasil vai defender em Accra um posicionamento da conferência sobre questões importantes da economia mundial, de modo a influenciar nas negociações da rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que devem ser concluídas nos próximos meses. A rodada de Doha visa diminuir as barreiras comerciais em todo o mundo, com foco no livre comércio para os países em desenvolvimento.

Fórum de reflexão
O diretor do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores, ministro Carlos Márcio Bicalho Cozendey, que participou nesta terça de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, acredita no sucesso da conferência, apesar de reconhecer que a Unctad deixou de ser um espaço de negociações para se tornar um fórum de reflexão e debates. "A Unctad não é o G-77, portanto precisamos buscar o consenso com os países ricos, para que as posições assumidas em Accra possam ser implementadas", disse Cozendey.

Ele lembra que a Unctad nunca negociou regras sobre o comércio mundial, no máximo códigos, mas isso não impede, em sua avaliação, que a reunião possa gerar impactos na rodada de Doha, que terá mais um encontro de negociação no mês de maio, em Genebra, na Suíça.

Pouca influência
Já a representante da Rede Brasileira Pela Integração dos Povos, Iara Pietricovisky, lembra que a própria ONU vem perdendo valor e capacidade de intervir nas relações entre os países ricos e em desenvolvimento, e que a Unctad também vem perdendo influência. "Infelizmente, a agenda desses países desenvolvidos é a agenda das grandes corporações. Com isso, a Unctad perde poder e capacidade de formulação de propostas que pretendam humanizar o capitalismo mundial", disse.

Ela também cobrou um papel mais ativo do governo brasileiro durante a 12ª reunião da Unctad. Iara Pietricovisky acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai exercer em Accra o mesmo papel que exerceu aqui no Brasil, em 2004, quando foi realizada a 11ª reunião da Unctad. "Uma presença mais ativa do presidente Lula pode criar possibilidades de entendimento", disse.

Como contraponto a esse esvaziamento da entidade, Iara Pietricovisky lembra que, pela primeira vez em mais de 40 anos da Unctad, a sociedade civil organizada vai realizar um evento paralelo à conferência, também em Accra.

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Reportagem - Roberto Seabra
Edição - Regina Céli Assumpção

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