Debatedores pedem que TDAH seja incluído em legislação
25/10/2007 - 18:16
Os participantes da audiência pública realizada pela Comissão de Seguridade Social e Família para debater o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pediram apoio dos deputados para incluir a doença na legislação dos portadores de necessidades especiais. O TDAH é um transtorno neurológico que aparece na infância e se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.
O TDAH atinge cerca de 6% das crianças brasileiras, de acordo com o Grupo de Estudos em Déficit de Atenção da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo o trabalho, a inclusão dos portadores nas políticas públicas ajudaria no tratamento e na manutenção econômica dos pacientes, já que as crianças com TDAH precisam de mais atendimentos ambulatoriais e internações, pois são vítimas mais freqüentes de ferimentos.
O pesquisador do Grupo de Estudos em Déficit de Atenção da UFRJ Daniel Segenreich citou dados norte-americanos que mostram que crianças portadoras do transtorno gastam de 503 a 1.343 dólares (aproximadamente de R$ 1 mil a R$ 2.600) a mais com despesas médicas.
Sugestões
Representante do governo no debate, a coordenadora-geral de Articulação da Política de Inclusão da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, Denise de Oliveira Alves, disse que o ministério vai colher até dezembro sugestões para garantir a inclusão escolar e o atendimento especializado de crianças com necessidades especiais, o que compreende o TDAH. As propostas farão parte da Política Nacional de Educação Especial, em debate no ministério.
Segundo Denise Alves, atualmente o ministério já orienta as escolas para que todos os alunos com necessidade especial, entre eles os portadores de TDAH, freqüentem o ensino regular e, no turno oposto, recebam atendimento especializado.
O atendimento é fundamental porque entre 6% a 20% dos portadores de TDAH apresentam baixo desempenho escolar e normalmente têm necessidade de aulas de reforço, como informou a psicóloga Angela Alfano Campos, que participou do debate. Segundo ela, os portadores do transtorno também estão entre os alunos com maiores índices de repetência, suspensão e expulsão.
Responsabilidade
A diretora-executiva da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), Iane Kestelman, alertou para a responsabilidade dos educadores na identificação de portadores de TDAH. Segundo ela, os professores devem conhecer os sintomas para alertar os familiares e indicar serviços profissionais para tratamento.
A professora lembra que as crianças portadoras da doença são consideradas sem limites, mal-educadas e, na maioria dos casos, são marginalizadas. Segundo ela, na adolescência e na vida adulta, essas crianças têm mais tendência a abusar do álcool e de drogas. Reportagem - Paula Bittar / Rádio Câmara
Edição - Janary Júnior
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