Economia

Lavagem de dinheiro pode ter ido além do Corinthians

20/09/2007 - 21:09  

O promotor de Justiça de São Paulo José Reinaldo Carneiro afirmou nesta quinta-feira, em audiência pública sobre a parceria entre o Corinthians e o fundo de investimento MSI (Media Sports Investment), não ter dúvida de que a prática de lavagem de dinheiro pode estar sendo utilizada por outros clubes de futebol brasileiros. Para o promotor, que atuou nas investigações do caso, a habilidade dos jogadores brasileiros e o alto valor alcançado por seus passes no exterior fazem com que as pessoas que querem lavar dinheiro procurem também os clubes de futebol do País. A audiência foi promovida pela Comissão de Turismo e Desporto.

Investigações da Operação Perestroika da Polícia Federal apontam que o Corinthians foi usado pelo magnata russo Boris Berezovski para lavar dinheiro obtido de forma ilícita no exterior. Para isso, ele teria utilizado como laranja o iraniano Kia Joorabchian, com a conivência de parte dos dirigentes do clube paulista. Berezovski, apontado como homem forte da MSI, é procurado pela polícia russa por corrupção e lavagem de dinheiro. Hoje ele mora na Inglaterra, onde obteve asilo político.

Má gestão
O procurador da República Sílvio Luiz de Oliveira reforçou, na audiência, que o caso envolvendo o Corinthians poderia ter ocorrido com qualquer outro clube, nacional ou internacional. Segundo ele, contribui para isso a existência de times fragilizados economicamente devido a problemas de má gestão.

Sílvio Luiz e José Reinaldo observaram que o Corinthians não foi o primeiro clube sondado para estabelecer parceria com os russos. Segundo informaram, há testemunhos de contatos com clubes do Rio de Janeiro e do interior de São Paulo. Eles disseram, no entanto, não saber de nenhuma investigação em curso em outros clubes.

Denúncia
Em julho deste ano, após mais de um ano e meio de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, o Ministério Público Federal — ao qual foram remetidos os autos pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que iniciou as investigações — ofereceu denúncia contra oito pessoas por lavagem de dinheiro no caso Corinthians-MSI. Entre eles, o então presidente do Corinthians, Alberto Dualib, e o vice-presidente do clube, Nesi Curi, afastados em agosto. Também foram acusados o russo Boris Berezovski e o iraniano Kia Joorabchian, que tiveram a prisão preventiva decretada, assim como Nojan Bedroud, também diretor da MSI. O processo corre em segredo de Justiça.

O promotor José Reinaldo, que integra o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), informou que há uma "investigação bastante adiantada" sobre possível sangria financeira do Corinthians devido à emissão de notas fiscais frias.

Já o procurador da República Rodrigo de Grandis — que ofereceu a denúncia de lavagem de dinheiro junto com Sílvio Luiz — afirmou que haverá investigação específica de eventual crime de evasão de divisas, caracterizado pelo pagamento de parte dos salários de jogadores no exterior. Entre os atletas sob suspeita estão Ricardinho e Carlos Alberto.

O deputado Silvio Torres (PSDB-SP), autor do requerimento para a realização da audiência, ressaltou que a investigação da parceria Corinthians-MSI traz uma preocupação muito grande para a sociedade, "porque se trata de um esquema de utilização do futebol brasileiro para lavagem de dinheiro, com dimensão internacional e tentativa de envolvimento de autoridades federais". Ele assinalou que, a cada audiência, são adicionados elementos que podem consolidar investigação mais ampla. Torres não descarta a possibilidade de ser criada uma CPI para investigar as transações do futebol.

Leia mais:
Procuradores criticam tentativa de trazer russo ao Brasil

Notícias anteriores:
Parlamentar defende CPI para investigar fraudes no futebol

Reportagem - Luciana Mariz
Edição - Regina Céli Assumpção

(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura `Agência Câmara`)

Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.