Evangélicos defendem parceria para políticas públicas
Os deputados Pastor Manoel Ferreira (PTB-RJ) e João Campos (PSDB-GO), respectivamente presidente e vice-presidente da Frente Parlamentar Evangélica, defenderam uma parceria do segmento evangélico com o governo para o desenvolvimento das políticas públicas da área social. A proposta foi apresentada nesta segunda-feira durante o Seminário sobre Políticas Públicas promovido pela frente.
Os parlamentares explicaram que o objetivo do seminário – que se estende até amanhã – é capacitar o pessoal do segmento evangélico para atuar nesta parceria.
João Campos observou que a Igreja está presente em todo o território nacional e tem uma visão mais ampla do que apenas a espiritual, que é o apoio social às pessoas carentes. "Nada melhor do que ser parceiro do governo para fazer com que os programas e as ações cheguem à ponta", disse Campos. Ele ressaltou que, para isso, as lideranças evangélicas precisam conhecer os programas e se informar sobre a parte técnica, como o estabelecimento de convênios e a prestação de contas. "Que possamos encontrar caminhos para que a igreja seja não apenas portadora do Evangelho, mas de políticas públicas que possam ajudar as pessoas carentes", acrescentou o deputado Rodovalho (DEM-DF).
Programas contrários à doutrina
João Campos lembrou, no entanto, que é preciso identificar os programas de governo que contrariam a doutrina da Igreja, como os de redução de riscos em relação às doenças sexualmente transmissíveis e de redução de danos no uso de drogas, que envolvem distribuição de camisinhas e de seringas. "São programas pontuais, porque a grande maioria é de programas bons, que não contrariam nossos princípios", assinalou o deputado.
Solidariedade
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, afirmou na abertura do seminário que a elaboração de políticas públicas para o País passa pela solidariedade. Ele defendeu a importância do debate sobre políticas públicas para se chegar a uma sociedade mais justa.
Arlindo Chinaglia observou que, em famílias do mundo inteiro pais disputam os filhos com o crime. Na visão do presidente da Câmara, vivemos em uma "sociedade doente" e a maior prova disso é que, no Brasil, os jovens de 15 a 29 anos morrem principalmente de causas externas, como assassinatos, acidentes, suicídios e afogamentos.
Impostos
Ainda na abertura do seminário, Arlindo Chinaglia falou sobre a necessidade de impostos para o financiamento do Estado. Ele contestou o argumento que associa carga tributária elevada a subdesenvolvimento, lembrando que os países nórdicos têm as maiores taxas de imposto do mundo e oferecem melhor qualidade de vida.
Por outro lado, Chinaglia condenou a corrupção, afirmando que, nesses casos, é inaceitável tanto a ação do agente público quanto a do corruptor.
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Reportagem - Luciana Mariz
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