Cidades e transportes

Projeto cria censo específico para identificar déficit habitacional nas cidades

Levantamento também vai mapear áreas de risco; proposta será analisada na Câmara dos Deputados

14/03/2024 - 09:56  

Pablo Valadares / Câmara dos Deputados
Audiência Pública – Dia Nacional do Consumidor de Energia Elétrica. Dep. Max Lemos (PDT - RJ)
Max Lemos propõe que censo seja realizado a cada dez anos

O Projeto de Lei 1195/23 institui o Censo de Déficit e Inadequação Habitacional, a ser realizado a cada dez anos, sob responsabilidade do governo federal com apoio de entidades civis. O texto está em análise na Câmara dos Deputados.

Segundo o autor da proposta, deputado Max Lemos (PDT-RJ), a ideia é identificar os municípios com maiores déficits habitacionais acumulados, bem como mapear as áreas que apresentam inadequação nas moradias.

Pelo texto, o Censo de Déficit e Inadequação Habitacional terá como critérios:

  • o índice de déficit habitacional;
  • a precariedade das condições de infraestrutura urbana;
  • a vulnerabilidade socioeconômica da população;
  • a ausência de regularização fundiária;
  • a insalubridade do ambiente construído;
  • a inacessibilidade a serviços públicos essenciais;
  • a existência de conflitos fundiários;
  • o baixo Índice de Desenvolvimento Social (IDS);
  • a localização em áreas de risco;
  • a densidade demográfica;
  • os domicílios em situação de coabitação;
  • a taxa de mortalidade infantil;
  • as ocupações irregulares;
  • o percentual do aluguel em relação à renda; e
  • outros temas que venham a ser definidos em regulamentação posterior.

Com os dados, deverá ser elaborado um indicador que aponte para a ocorrência de situações de exclusão socioespacial, como os municípios e as áreas rurais sem urbanização, aglomerados subnormais, assentamentos precários ou favelas.

Consequências
Com os resultados do novo censo, o governo federal adotará medidas como:

  • ajudar na elaboração de planos municipais de habitação e saneamento básico, visando garantir o acesso a serviços de água, luz, esgoto e coleta de lixo;
  • implementar programas de regularização fundiária, possibilitando o acesso da população a financiamentos e programas habitacionais;
  • realizar obras de infraestrutura urbana e para acesso a serviços públicos, como escolas, postos de saúde e transporte;
  • conceder incentivos para a construção de habitações de interesse social ou para recuperação de imóveis em situação de precariedade; e
  • promover ações integradas com órgãos e entidades, com objetivo de ampliar o alcance e efetividade dessas e de outras ações.

Ainda segundo o texto, será assegurada a participação da sociedade na realização e na divulgação desse novo censo. Custos do levantamento poderão ser cobertos por repasses do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS).

Próximos passos
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Ciência, Tecnologia e Inovação; de Desenvolvimento Urbano; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Da Reportagem/RM
Edição – Marcelo Oliveira

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.


Íntegra da proposta