Pista pode ser usada com chuva, diz presidente da Anac

25/07/2007 - 17:47  

O diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, afirmou que a pista principal do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, tem condições de pouso mesmo em dia de chuva, ainda que falte construir o chamado "grooving" – ranhuras feitas no asfalto para o escoamento de água em casa de chuva forte. "O mesmo avião tinha descido horas antes em Congonhas, com chuva", afirmou, em relação ao Airbus A320 da TAM, que explodiu ao colidir com o prédio da TAM Express depois de pousar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no último dia 17.

Zuanazzi afirmou que a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) fez testes no local antes do acidente e constatou que o coeficiente de atrito da pista é de 0,62, quando a Organização de Aviação Civil Internacional (Icao) recomenda o valor mínimo de 0,42. O presidente da Anac fez ainda questão de ressaltar que a liberação da pista após a reforma estava a cargo da Infraero, e não da Anac, por se tratar de uma obra de manutenção, sem reforma ou ampliação de pista.

Avião
Zuanazzi também deu explicações sobre as condições do avião da TAM. De acordo com ele, o Airbus A320 foi importado pela companhia brasileira no ano passado e, antes de ser incorporado à frota, foi submetido em dezembro a uma revisão do tipo check-C, que é uma das mais completas.

A checagem foi feita em uma oficina de Xangai (China) certificada pela Federal Aviation Administration (FAA), agência que regula a aviação civil nos Estados Unidos. Além disso, segundo ele, o avião não apresentava um histórico de problemas, como chegou a ser veiculado na imprensa. "Não havia nenhuma anormalidade com ele", destacou.

Vôos em Congonhas
No depoimento, Milton Zuanazzi, rejeitou as críticas de que a decisão de limitar os vôos no aeroporto de Congonhas não vai surtir efeito prático para contornar a crise aérea. Segundo ele, a proibição de conexões, de distribuição de vôos e de paradas em Congonhas vai dar mais fluidez ao tráfego aéreo no País. "Isso é absolutamente necessário", defendeu, em resposta ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O presidente da Anac disse também que ainda é cedo para dizer se a decisão vai aumentar o preço das passagens aéreas. Segundo ele, é preciso avaliar como as empresas vão se adaptar a essas exigências.

No entanto, ele reconheceu que a redução de pousos não melhora as condições de segurança do aeroporto, só "reduz as probabilidades". "Não é o tráfego que torna o aeroporto mais ou menos seguro", ponderou, ao responder a pergunta do deputado Miguel Martini (PHS-MG).

Zuanazzi insistiu que Congonhas está dentro dos padrões internacionais, observando que há aeroportos em operação no Brasil com "condições menores de segurança". O problema, segundo ele, é a ausência de uma área de escape para a pista, localizada em uma área de grande densidade urbana.

Alternativas
A agência, lembrou Zuanazzi, já vinha apontando para a necessidade de construção de um aeroporto alternativo em São Paulo, além da ampliação dos aeroportos de Cumbica, em Guarulhos (SP), e de Viracopos, em Campinas (SP).

O deputado Dr. Ubiali (PSB-SP) questionou o presidente da Anac sobre a utilização do aeroporto de Jundiaí (SP), localizado a 50 quilômetros da capital paulista. Zuanazzi informou que se reuniu ontem com o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Juniti Saito, para discutir a transferência de vôos gerais e executivos para Jundiaí. Segundo Zuanazzi, o aeroporto não teria condições para receber aviação comercial.

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Reportagem - Janary Júnior e Marcello Larcher
Edição - Francisco Brandão

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