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Seguridade aprova 50% de soro antiofídico em pó

03/07/2007 - 22:01  

A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou, na semana passada, o Projeto de Lei 2413/03, do Senado, que determina que pelo menos 50% do soro antiofídico comercializado ou distribuído no País estejam sob a forma liofilizada (em pó).

Ao recomendar a aprovação da proposta, o relator, deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), observou que o soro em pó pode ser guardado sem refrigeração, o que permite seu armazenamento em locais onde não existe energia, ao contrário do soro líquido, que exige temperaturas baixas e constantes para sua conservação.
"O soro liofilizado representa um grande avanço no tratamento de pacientes acidentados com picadas de animais peçonhentos", avaliou Matos. Além da facilidade de conservação e transporte, ele lembrou ainda que o soro em pó tem prazo de validade maior em relação ao líquido. Segundo informou, enquanto este último dura no máximo dois anos, o soro liofilizado tem duração de no mínimo cinco anos.

O deputado explicou que o tratamento das pessoas picadas por cobra com o uso do soro apropriado, oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), já é utilizado há muito tempo, mas nem sempre acontece em tempo hábil. Às vezes, o início do tratamento é retardado devido à indisponibilidade do soro antiofídico nas proximidades do local do acidente. "Essa indisponibilidade se dá geralmente não por escassez do produto, mas pela dificuldade de sua conservação", acrescentou.

Matos ressaltou que a eficácia terapêutica do soro em pó já foi testada pela Fundação de Medicina Tropical do Amazonas e pelo Instituto Butantan, em parceria com o Instituto de Biologia do Exército. "Sua utilização já se dá em outros países da América Latina, como Venezuela e Colômbia, e a Organização Mundial da Saúde já havia recomendado aos países tropicais que adotassem esse tipo de soro em vez da forma líquida", completou. O deputado argumentou que, embora o custo de produção do soro liofilizado seja maior (entre 20% e 25%), esse aumento será neutralizado pela redução dos custos com a logística de transporte e armazenamento, além dos "incalculáveis benefícios em termos de vidas poupadas".

Tramitação
O projeto segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovado, será votado em plenário.

Reportagem - Luciana Mariz
Edição - Patricia Roedel

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