Câmara vai analisar permissão para Banco Central remunerar depósitos voluntários

Objetivo é controlar a inflação sem aumentar a dívida pública
Da Agência Câmara - 12/11/2020 - 10:05

O Projeto de Lei 3877/20 autoriza o Banco Central (BC) a receber depósitos voluntários remunerados das instituições financeiras, ou seja, os bancos terão a opção de depositar recursos no Banco, que renderão juros.

A ideia é dar ao BC mais uma ferramenta para controlar a quantidade de moeda em circulação no sistema financeiro (liquidez bancária), que tem impacto sobre a inflação, sem afetar a dívida pública. A proposta, aprovada pelo Senado,  tramita na Câmara dos Deputados.

Duas pessoas de costas se aproximam da entrada da sede do Banco Central
Banco Central definirá juros para remunerar recursos depositados por bancos - Foto: Marcello Casal - Agência Brasil

Dívida pública

Atualmente, o principal instrumento utilizado pelo BC para gerenciar a liquidez bancária são as chamadas “operações compromissadas”: o órgão vende títulos públicos do Tesouro Nacional, que estão sob seu poder, aos bancos e investidores. Em troca, recebe moedas que estavam em circulação, enxugando a liquidez.

O problema dessa operação é que ela é incluída na dívida pública. Quanto mais operações compromissadas o BC realiza, mais a dívida pública aumenta.
Os depósitos voluntários vão funcionar como um instrumento alternativo às operações compromissadas.

Ao deixar o dinheiro no BC, os bancos reduzem a quantidade de moeda em circulação. Pelo texto, a taxa de rendimento e as condições dos depósitos, à vista ou a prazo, serão definidas por ato do BC.

Prestação de contas

O projeto prevê que o Banco Central apresente à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado informações detalhadas sobre o acolhimento dos depósitos a prazo.

O BC deverá divulgar ainda, semestralmente, um demonstrativo dos depósitos voluntários, e trimestralmente prestará contas ao Congresso Nacional sobre as operações realizadas.

Projeto do Executivo

O projeto é de autoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE). Atualmente tramita na Câmara uma proposta parecida, apresentada pelo governo Michel Temer. Os dois projetos deverão ser analisados em conjunto.

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