Expressão Nacional
20/10/2009
Expressão Nacional avalia rumos do programa de Reforma Agrária (bl.1)
Invasões do Movimento dos Sem Terra (MST), críticas dos grandes agricultores e cortes de orçamento pelo Governo. Estes foram os tópicos mais discutidos no programa Expressão Nacional que debateu a política de Reforma Agrária do Brasil. Os deputados Moacir Micheletto (PMDB–PR) e José Geraldo (PT-PA) comentaram a criação da CPI para investigar doações feitas ao MST. O coordenador nacional da Pastoral da Terra, Dirceu Fumagalli, defendeu o MST e criticou a concentração de terras nas mãos de grandes empresas e proprietários; mas para o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho, as grandes empresas são responsáveis pela tecnologia no campo e por ter colaborado com a melhora da balança comercial brasileira.
Nos últimos seis anos, 520 mil famílias foram assentadas pelo programa de Reforma Agrária. Uma média de 86 mil família por ano. Para 2009, o Governo Federal já admitiu que será impossível repetir a meta. O motivo seriam os cortes no orçamento por conta da crise econômica mundial. Dos mais de R$ 900 milhões previstos para este ano, R$ 600 milhões já foram gastos e mais de R$ 300 milhões não foram liberados. A previsão é de que apenas 75 mil famílias sejam beneficiadas. A maior parte na região Norte, seguida do Nordeste e Centro-Oeste. O menor número de assentamentos será feito nas regiões Sul e Sudeste.
A pesquisa do Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), mostrou que só a distribuição de lotes não está sendo suficiente para mudar a vida dos assentados. Os dados revelaram que mais de 72% das famílias não conseguiram gerar nenhum tipo de renda e entre essas, 37% não produzem nada. O levantamento foi contestado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário porque dos mais de oito mil assentamentos, apenas nove foram pesquisados.