Câmara Hoje
02/07/2014
Dono de laboratório nega ilegalidade na negociação de André Vargas com Ministério da Saúde
O Conselho de Ética da Câmara ouviu hoje os donos do laboratório farmacêutico Labogen, no processo aberto contra o deputado André Vargas, do Paraná. Um deles se recusou a responder à maioria das perguntas feitas pelos deputados. Já o outro, que é o sócio majoritário do Labogen, negou que tenha havido tráfico de influência por parte do parlamentar paranaense em negociação junto ao Ministério da Saúde.
O advogado Leonardo Meireles tem 39 anos e é o sócio majoritário do laboratório farmacêutico Labogen, com 90% das ações. Segundo ele, é um laboratório que produz apenas matéria-prima para a fabricação de medicamentos. No depoimento ao Conselho de Ética, ele explicou que comprou a Labogen em maio de 2008 e que, à época, a empresa tinha uma dívida de 54 milhões de dólares. Mas, como sabia que haveria mudanças na legislação que favoreceriam o setor, resolveu investir. Hoje, segundo Leonardo, a dívida da Labogen está em 24 milhões de dólares. O advogado explicou que entre 2011 e 2012, buscou investidores para a construção da nova planta industrial da empresa. Foi quando o doleiro Alberto Yousseff, que fazia parte de um fundo de investidores da empresa, entrou com dinheiro no negócio.
Leonardo Meireles revelou que, apesar de não ser sócio do doleiro, Youssef usou as contas da empresa para fazer dezenas de operações financeiras no exterior. Meireles também disse quem fez a aproximação entre ele e o deputado André Vargas.
O proprietário do laboratório Labogen explicou que o deputado André Vargas ajudou nos contatos da empresa com o Ministério da saúde para a assinatura de um contrato. Mas negou qualquer pagamento em dinheiro ao parlamentar por conta disso.
O sócio minoritário da Labogen, Esdras Ferreira, disse que é técnico em administração de empresas. E parou por aí. Orientado pelo advogado, ele se recusou a responder a quase todas as perguntas. Até as mais simples.
O relator do caso no Conselho de Ética, deputado Júlio Delgado, disse não ter dúvidas de que Esdras é apenas uma pessoa usada para os negócios ilegais da Labogen.
Na saída do depoimento ao Conselho de Ética, Leonardo Meirelles voltou a afirmar que o contato dele com o deputado André Vargas foi apenas institucional.