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Estreia: 14/07/2012

Rumo ao Muquém

Todo ano, cerca de 200 mil romeiros de todo o Brasil se estabelecem no pacato vilarejo do Muquém, interior do Goiás, mantendo viva uma tradição católica de 263 anos.

Trata-se da Romaria do Muquém, uma das maiores e mais antigas do país, cuja origem remonta às missões bandeirantes que desbravaram sertões no período colonial, tendo sido registrada no primeiro romance regionalista de nossa literatura: “O Ermitão do Muquém” (1958), de Bernardo Guimarães. A festa cultua a imagem de Nossa Senhora da Abadia e anualmente mobiliza milhares de devotos entre os dias 5 e 15 de agosto.

Algo que torna essa romaria única é o local escolhido para celebrá-la: um povoado esquecido no meio da Chapada dos Veadeiros, cercado pela exuberante paisagem do bioma cerrado. O contato humano com a natureza é constante, seja na procissão de 45 km que leva a imagem de Nossa Senhora desde Niquelândia até o vilarejo do Muquém, seja na área do santuário rodeada por morros e vegetação nativa. Os fiéis montam acampamento nos “ranchos”, sob a copa das árvores, e muitos tomam banho no riacho próximo. Alguns até preferem chegar ao Muquém por dentro da mata, cortando o cerrado por dias a fio, vindos de cidades vizinhas. É o caso de Geraldo Bertelli, devoto da romaria há 17 anos, que há seis faz a peregrinação a pé. Ele vence a distância de 150 km que separa São João da Aliança (GO) do Muquém com nada mais que uma mochila contendo provisões e um bom par de tênis.

A tradição é algo muito forte para os devotos da Romaria do Muquém. A área dos ranchos é toda dividida entre famílias que acampam no mesmo lugar há 50, 60 anos. Seu Nenê é um desses fiéis que há mais de meio século participa da romaria. Na carroceria da caminhonete ele leva consigo a numerosa família e todo o tipo de apetrecho para incrementar a estada no Muquém, como fogão, cama, freezer e até vaso sanitário.

Outra peculiaridade do Muquém é o caráter pagão que a festa adquire em diversos momentos. Em contraste à dedicação das beatas, grande parte dos jovens não parece muito interessada nos assuntos da alma. Pelo contrário, acaba protagonizando cenas de bebedeira e lascívia nos arrasta-pés madrugada adentro. Sempre embalados por forró, funk e sertanejo universitário nos potentes sons automotivos – outra grande paixão típica do Goiás.

Ficha Técnica

Direção: Cid Queiroz e Santiago Dellape
Roteiro: Santiago Dellape
Produção: Ana Beatriz Arruda, Dulce Queiroz e Pedro Henrique Sassi
Animação: Plínio Quartim
Pesquisa: André Bergamo
Edição e Finalização: Felipe da Cunha
Arte: Tiago Keise
Fotografia: Cícero Bezerra
Imagens: Cícero Bezerra e Santiago Dellape
Auxiliar: Misael do Rosário
Trilha Sonora: Alberto Valério
Montagem: Felipe da Cunha e Santiago Dellape
Videografismo: Izaque Cavalcante e Tiago Keise

Duração: 25 minutos

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Temas variados são abordados nos documentários produzidos pela TV Câmara, com ênfase naqueles que, de alguma forma, fazem parte da agenda do Congresso Nacional. Política, infraestrutura, meio ambiente, cultura, personalidades e história do país são alguns dos assuntos que podem ser encontrados em nosso acervo.

Estreia: sexta, às 21h30. Reprises: sábado 8h, 15h e 22h30; domingo, 6h30, 12h e 20h e segunda às 19h.

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