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23/02/2010

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Programa Espacial Brasileiro 2: problemas financeiros

Falta de dinheiro, de especialistas, atrasos, espionagem, boicotes. A segunda reportagem da série sobre o Programa Espacial Brasileiro mostra um pouco das inúmeras dificuldades que nossos cientistas enfrentam para fazer o Brasil dominar o espaço.

Ainda hoje, qualquer tecnologia espacial causa admiração e sonhos. Mas no Brasil, o programa espacial envolve muitas dificuldades. Segundo os envolvidos no projeto, o maior problema é a falta de recursos, principalmente humanos. Não que faltem cientistas, mas faltam vagas para eles no programa espacial.

Apesar da forte presença de militares, o programa espacial brasileiro é declaradamente civil e pacífico e por isso, não recebe verbas da área de Defesa, mas apenas do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Até hoje, a Agência Espacial Brasileira (AEB) tem somente servidores emprestados por outros órgãos públicos. O presidente da instituição acha que a falta de recursos é reflexo de uma falta de compromisso político.

Como se não bastasse, ainda existe um suposto desconforto interno no programa, porque os satélites que o Inpe fabrica são muito grandes para o nosso foguete VLS, que até hoje não funciona.

Apesar de a imprensa ter divulgado recentemente opiniões divergentes entre a AEB, os pesquisadores do Inpe e os militares do Centro Tecnológico da Aeronáutica, diretores desses órgãos dizem que são opiniões isoladas e que as incompatibilidades entre os satélites do Inpe e os foguetes do DCTA acontecem devido a um ritmo diferente de desenvolvimento.

Apesar dos percalços do projeto VLS, o Brasil tem tido sucesso na produção e no lançamento de foguetes menores, que têm sido usados até por outros países, como a Alemanha e, por isso, tem muita gente de olho em tudo que acontece em Alcântara (MA).

A Aeronáutica já percebeu que cresce muito o número de “turistas” estrangeiros na região toda vez que há um lançamento de foguete e, em 2008, um francês chegou ao Centro de Lançamento num parapente motorizado, dizendo que tinha saído de Recife e estava perdido. A Aeronáutica investigou e descobriu que ele era um soldado do Exército da França e estava equipado com câmeras digitais, GPS e transmissor de dados via satélite.

Além da espionagem e da concorrência no mercado espacial, os outros países ainda impõem embargos ao programa brasileiro e é forte a suspeita de que estrangeiros se aproveitem dos nossos próprios problemas para atrapalhar ainda mais o programa espacial brasileiro.

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