Câmara Hoje
24/05/2010
Seguidores do Santo Daime defendem uso do chá em rituais religiosos
Depois de anos de discussão, o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad) publicou em janeiro deste ano uma resolução que permite o uso em seitas religiosas do chá de ayauasca, também conhecido como Santo Daime. Mas depois do assassinato do cartunista Glauco, que presidia uma seita na qual o chá era usado nos rituais, as discussões foram reabertas. Glauco foi assassinado por um frequentador da seita, que também usava drogas. Agora, um projeto de lei que está na Câmara quer proibir definitivamente o uso do chá de ayauasca. O autor, deputado Paes de Lira (PTC-SP), promoveu uma audiência pública para discutir o uso e os efeitos do chá.
Nesta segunda-feira, mais de mil pessoas fizeram uma passeata na Esplanada dos Ministérios em defesa do uso do chá de ayauasca.
A bebida tem efeitos alucinógenos e é feita com a mistura de um cipó e uma folha originários da Amazônia. O chá é usado há cerca de 300 anos em rituais religiosos. Somente no Brasil, estima-se que mais de 30 mil pessoas usem a ayauasca.
Mas denúncias de uso indiscriminado, juntamente com drogas ilícitas, e até de tráfico de drogas, têm colocado em xeque a liberação do daime. O deputado Paes de Lira quer proibir totalmente o uso da ayauasca.
Mas há opiniões divergentes. O deputado Chico Alencar (Psol – RJ) lembra que o uso de substâncias alucinógenas existe nos rituais mais antigos.
Mas os próprios adeptos do daime defendem um maior controle do uso do chá.
O secretário nacional de Políticas sobre Drogas do Governo Federal defendeu a liberação do chá, decidida após 25 anos de pesquisas sobre seu uso.
Créditos:
– Ana Chalub – repórter
- Deputado Paes de Lira (PTC-SP)
- Deputado Chico Alencar (Psol – RJ)
- Flávio Mesquita – Seita União do Vegetal
- André Luiz - antropólogo e presidente da Federação Nacional da Ayauasca
- General Uchoa – Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas
Texto atualizado em 25/05, às 15h23