Sempre Um Papo

11/06/2005

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Zuenir Ventura (jornalista e escritor)

Já se vão quase cinqüenta anos desde a estréia de Zuenir Ventura como jornalista. Neste período, ele foi repórter, redator e editor de vários jornais e revistas. Atualmente, é colunista do jornal “O Globo” e do site “NoMínimo”. Ganhou os Prêmios Esso e Vladimir Herzog de Jornalismo, em 1989, além do Prêmio Jabuti de Reportagem por seu livro “Cidade Partida”, em 1994. Entre seus livros estão também “1968, O Ano que não Terminou”, “Chico Mendes – Crime e Castigo”, “Crônicas de um fim de século e Inveja – mal secreto”.

Seu mais recente lançamento, “Minhas histórias dos outros” (Ed. Planeta), é mais do que a biografia de Zuenir Ventura; é “uma alterbiografia”, como define o próprio autor. Feito de episódios que viveu e de personagens que conheceu, o livro é um acerto de contas com o seu passado, ou com suas lembranças.

Desmemoriado confesso, Zuenir foi atrás de suas “anotações” nos arquivos de jornais e revistas e também da memória dos outros, tomada de empréstimo quando a dele falhava. Entre lembranças pessoais e coletivas, estão as principais mudanças comportamentais, políticas e sociais ocorridas dos anos 50 até hoje. Mas Zuenir não escreve um livro de História, e sim das histórias das pessoas que presenciaram e muitas vezes protagonizaram essas transformações.

Amigo próximo de Glauber Rocha, Zuenir relata sua pesquisa para uma biografia que não chegou a escrever sobre o cineasta, e desfaz as dúvidas sobre a verdadeira causa da morte do pai do Cinema Novo, até então nebulosa. Mais adiante, como num mea-culpa, questiona por que os jornalistas – ele, inclusive – resolveram não publicar a versão integral do suicídio de Pedro Nava. E, como se abrisse seu diário, Zuenir expõe pela primeira vez em detalhes “a experiência mais difícil e sofrida de viver e contar”: a de seu “filho adotivo” Genésio Ferreira da Silva. Testemunha do assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, o garoto, então com treze anos, entrou para a família por acaso, após Zuenir infringir uma lei básica do jornalismo – a de que, ao reportar os acontecimentos, não se deve interferir neles.

Há também histórias alegres e surpreendentes, como a cobertura da Revolução dos Cravos ou a foto acidental que tirou da calcinha branca de Jacqueline Kennedy. Momentos de orgulho, como a apuração do caso da morte de Vladimir Herzog – no lugar de quem poderia ter morrido – e da bomba do Riocentro. E relatos de sua geração, a de biquíni fio dental e da liberdade sexual, que durou vinte anos até ser reprimida não tanto pelo moralismo, mas sim pelo medo, o medo da Aids, que deixou muitos pelo caminho.

Sempre Um Papo

Em parceria com a Associação Sempre Um Papo, a TV Câmara exibe quinzenalmente debates com escritores brasileiros, colocando frente a frente autor e leitor.

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