Sempre Um Papo
13/11/2004
Marina Colasanti (Escritora)
Marina é uma das pioneiras no Brasil na discussão de temas como gênero e relacionamentos amorosos. Em Fragatas para terras distantes, é revelada sua outra faceta: de ensaísta, estudiosa e amante da literatura. Nessas 17 fragatas, a autora se entrega numa viagem através da leitura, ao reunir artigos, prefácios e textos proferidos em congressos e seminários. Neles, suas experiências de leitora servem de base para finas reflexões teóricas. A infância povoada de livros na Itália fascista ressurge ao tratar da questão da leitura em tempos de violência, os autores lidos com o primeiro namorado afloram ao analisar a relação dos jovens com os livros, o percurso dos contos de fadas na nossa cultura se entrecruza com a atuação de Marina nesse gênero. Ao lado de Fragatas para terras distantes, A morada do ser representa o resgate da grande obra de Marina Colasanti. Como este, alguns dos mais importantes títulos da celebrada autora encontravam-se fora do mercado há algum tempo. A obra reeditada reflete sobre as exigências do amor, os sobressaltos da criação e as belezas encobertas da vida. Os minicontos reunidos no livro, originalmente lançados em 1978, discursam sobre um tema: a moradia e elementos relacionados a ela – a solidão, o casulo, a superpovoação, o isolamento, a criação da própria morada. Cada conto representa um apartamento, e entre cada andar de apartamentos há um conto sobre áreas comuns, como lixeira, garagem, elevadores. Para compor A morada do ser, Marina desenhou seu prédio, um mapa imobiliário e começou a olhar o prédio como se olhasse um edifício de verdade, para ver onde havia uma pessoa sozinha, onde havia uma pessoa que não suportava viver com outra, onde havia uma televisão acesa. Assim, localizou os mitos, distribuiu os temas pelos apartamentos, e só depois começou a escrever os contos. O livro é todo dividido por andares. Só no final aparecem os títulos, como num posfácio. “Queria que o leitor entrasse em cada apartamento sem ter idéia do que ia encontrar, como se você entrasse num apartamento em que não conhecesse os moradores”, conta Marina. Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália, e chegou ao Brasil em 1948, quando sua família se radicou no Rio de Janeiro. Em 1968, iniciou sua carreira literária, com o livro Eu sozinha. Tem mais de 30 títulos publicados, entre poesia, crônicas, contos, livros para crianças e jovens. Trabalhou em revista, jornal, televisão e como ilustradora de livro infantil. Além dos livros, Marina dedica-se às artes visuais: entre 1952 e 1956 estudou pintura e, em 1958, já participava de salões de artes plásticas. Entre outros prêmios, ganhou o Jabuti de Poesia por Rota de colisão e o Jabuti Infantil ou Juvenil, por Ana Z aonde vai você?, além de prêmios da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil, da Câmara Brasileira do Livro, da Associação Brasileira de Críticos de Arte, do Concurso Latinoamericano de Cuentos para Niños, promovido pela Funcec/Unicef e o Prêmio Norma-Fundalectura Latino-Americano.