Reportagem Especial
Os mitos relacionados à saúde: Conclusão (08'32'')
25/07/2011 - 00h00
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Os mitos relacionados à saúde: Conclusão (08'32'')
O médico Fernando Lucchese é autor de uma dezena de livros sobre saúde. A maioria deles visa esclarecer e informar melhor a população. Dois deles desmisitificam algumas histórias relacionadas à alimentação.
A Reportagem Especial foi às ruas para ouvir dúvidas da população em relação à alimentação. As respostas são de Fernando Lucchese. Repare a confusão que a falta de informação provoca.
Cerveja preta aumenta leite materno?
Misturar banana com goiaba dá constipação?
Leite desnatado faz mais bem que leite integral?
Margarina faz menos bem que manteiga?
Limão e abacaxi ajudam a eliminar a gordura do corpo?
Beber muita água emagrece?
O que fica de tudo isso é óbvio: a informação é a principal arma para que a pessoa saiba cuidar melhor de sua saúde. Na opinião da odontóloga Sharmênia Araújo, a solução é o diálogo.
"O paciente entra e você pede pra ele abrir a boca. E ele de boca aberta não pode falar. Então não existe muito diálogo. Então o que eu questiono, o que eu busco no meu trabalho e pesquisas é dizer ´dentista precisa conversar com paciente´."
Informar sobre as atribuições da odontologia é a base para uma melhor convivência entre esses profissionais de saúde e os pacientes, na opinião de Sharmênia Araújo.
"Eu acho que o primeiro passo para maior socialização e a desmistificação de alguns desses mitos que a gente tem. É a maior divulgação da prática da profissão."
A receita parece evidente. A professora de pós- graduação em educação física Denise Macedo concorda.
"A úncia maneira de você modificar alguns comportamentos é através do conhecimento. Seria apenas com bons profissionais explicando para as pessoas qual é o objetivo do trabalho, o que vai ser conseguido e, lentamente, a gente pode ter alguma alteração."
O médico e escritor Fernando Lucchese concorda com o papel da informação, mas acredita que o mito é eterno. Não há como evitar que daqui a duzentos anos esse tipo de conhecimento popular ainda exista, por mais que a ciência e os meios de comunicação sejam difundidos
"O mito faz parte do ser humano. Desde a época mais medieval, antes, Grécia e etc, tínhamos mitos. A Grécia era rica em mitologia. A Grécia procurava ensinar através de mitos. A mitologia era uma forma de transmitir conteúdo moral para a população. Então, nós curtimos mito. E quando não existe a gente cria. Criamos para pessoas que são mitificadas, nós criamos mitos em objetos, criamos mitos em alimentos, somos criados de mitos, isso faz parte do ser humano, jamais vai deixar de existir "
O antropólogo Raymundo Heraldo, que pesquisou os mitos no Pará, confirma isso.
"Por que se há uma coisa que está na Amazônia, está no Centro-Oeste, está na vida, está nas pessoas, então não está errado. O problema é que são proibições estabelecidas por razões culturais, mas que possivelmente têm também algum fundamento na experiência."
A conclusão que fica é a seguinte: as pessoas convivem diariamente com mitos alimentares e vão conviver eternamente. O principal é se informar em diversas fontes, pesquisar a origem daquela informação. Ela é religiosa? Ela é científica? Com a informação, a pessoa, evidentemente, decide se acredita ou não.
Se a pessoa decide acreditar no contrário do que a informação diz, a chance de sua crença dar certo é até razoável, como diz a psicólogia Sandra Regina da Luz Inácio. E esse é um dos motivos para que as crenças se perpetuem. O cérebro não tem limites.
De Brasília, Luiz Cláudio Canuto