Reportagem Especial

Como combater a obesidade infantil (05'55'')

31/08/2010 - 00h00

  • Como combater a obesidade infantil (05'55'')

Todo mundo conhece um bebê rechonchudo, cheio de dobras, a fofura em forma de gente, mas o que pouca gente lembra é que esse bebê, se não tiver alimentação adequada pode se tornar uma criança e um adolescente obeso.

Segundo a Organização Panamericana de Saúde, o número de crianças e jovens obesos no Brasil aumentou 240 por cento nas últimas duas décadas.

Esse aumento se deveu principalmente pela mudança no estilo de vida da nossa população, com adoção de hábitos sedentários e aquisição de hábitos alimentares inadequados com a substituição da alimentação tradicional, o arroz com feijão por comidas industrializadas, com altos teores de gordura, açúcar e sódio.

Para a endocrinologista infantil, Kátia Barbosa, a melhoria das condições econômicas está levando uma parcela da população a consumir alimentos com alto valor calórico e baixo valor nutricional.

"Com as melhorias nas condições de vida essas crianças vão tendo mais acesso, mais rapidamente a alimentos com alto teor calórico e com mais carboidratos que a verdura e a carne isso vai avançando com a melhoria da população. Então aquele grupo que era desnutrido começa a ter comida, começa a comer demais e começa a se tornar obeso. Isso é uma história secular e não é só no Brasil, nós estamos passando por esse período agora no Brasil."

Os estudos mostram que, apesar da desnutrição ainda ser uma triste realidade no Brasil, cerca de 40 por cento da população está acima do peso adequado.

Entre crianças e adolescentes, o percentual de obesos chega a 15 por cento e o aumento de peso se dá em todos os lugares e faixas sociais.

Kátia Barbosa defende a diversificação da dieta de crianças e adolescentes como forma de combate à obesidade.

"O que é necessário fazer é tentar diversificar essa dieta, nem sempre é fácil, a gente trabalha com crianças carentes no Hospital Universitário e eu sei que não é fácil. Mas, o objetivo é a gente tentar controlar essa ingesta, controlar esse excesso de carboidratos. Aumentar a ingesta de proteína, ingesta de verduras e legumes que não é só um trabalho do médico, tem que ter um envolvimento social, um envolvimento governamental para melhorar as condições de vida desses pacientes."

Preocupados com esse aumento de obesos, especialistas identificaram na escola o local propício para iniciar a mudança de hábito de jovens e crianças.

O Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília desenvolve, desde 2000, o Projeto Escola Saudável em mais de 60 escolas públicas e particulares do Distrito Federal. O projeto já atendeu sete mil alunos com atividades lúdicas envolvendo os alimentos.

Uma das responsáveis técnicas pelo projeto, a nutricionista Renata Bernardoni, explicou que a abordagem com as crianças é feita de maneira a despertar o interesse.

"Porque a informação vem para elas de uma maneira mais explicativa e nesse momento elas se questionam muito sobre muitas coisas. Então a partir do momento que existe uma explicação do porquê. Por que é que eu tenho que aumentar o consumo de fruta? A ideia não é só dizer que a fruta é saudável não é isso. Ela aprende a equilibrar os demais alimentos e saber da importância dos alimentos reguladores que são os que faltam mais."

Mas a mudança de hábitos demora e a previsão é de que a inserção de uma alimentação mais saudável leva em média quatro anos para se tornar um hábito.

Para acelerar o processo de adaptação das crianças a uma alimentação saudável a Câmara aprovou em junho deste ano projeto que proíbe a venda, oferta ou propaganda de alimentos não saudáveis em escolas de educação infantil e ensino fundamental.

O autor da proposta, deputado Lobbe Neto, do PSDB de São Paulo, afirmou que produtos de baixo valor nutritivo devem ser retirados das escolas e substituídos por outros mais saudáveis como sucos, frutas e pães integrais.

" A questão da saúde pública é mais importante nesse processo, além da educação da alimentação saudável. Então, através da escola, através da substituição de uma alimentação não saudável, que sejam as guloseimas, as frituras, e etc, por alimentação saudável, nós vamos contribuir para diminuir o índice de obesidade da juventude brasileira e no futuro diminuindo o índice de obesos adultos. Com isso nós vamos diminuir as doenças cardiovasculares, diminuir a hipertensão, e melhorar a qualidade de vida do cidadão brasileiro."

A proposta está agora sob análise do Senado. Depois segue para sanção presidencial, a partir daí as escolas tem um prazo de seis meses para se adaptarem à nova lei.

A pediatra especializada em Obesidade Infantil, Kátia Barbosa, afirmou que não existe idade certa para iniciar o tratamento e quanto mais cedo melhor para a criança. Mas, a médica explica que primeiro é preciso conscientizar a criança, para depois iniciar o tratamento.

"É o que importante é você fazer com que a criança se interesse por isso. A criança tem que perceber que está gorda, que está comendo errado para que consiga normalizar. Porque a mãe não fica mais - uma criança de 08 anos, um adolescente - a mãe não fica mais 24 horas por dia com ela. Então se a criança não toma consciência do problema, quando a mãe não está vendo ela vai detonar a geladeira."

A doutora Kátia alerta que nos casos de desnutrição da mãe, o bebê tem que ter um acompanhamento médico para que as alterações no metabolismo dessa criança não levem a um aumento de peso.

Para Kátia Barbosa não existe um alimento proibido que não deva ser consumido nunca mais, mas é preciso ajustar a alimentação à realidade de cada um.

De Brasília, Karla Alessandra

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