Reportagem Especial
Redes sociais na internet: campanhas eleitorais (05'06'')
12/07/2010 - 00h00
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Redes sociais na internet: campanhas eleitorais (05'06'')
Novas regras para as campanhas eleitorais foram aprovadas pelo Congresso no ano passado. A grande novidade para as eleições deste ano é o fim da proibição do uso da internet nas campanhas.
Pela proposta, a partir do dia 5 de julho, os candidatos poderão pedir votos por meio das páginas eletrônicas de partidos ou coligações, desde que o endereço seja comunicado à Justiça Eleitoral e hospedado, direta ou indiretamente, em provedor estabelecido no Brasil.
Poderão ser usados ainda emails, blogs e outras redes de relacionamento (como orkut e twitter), seja por iniciativa dos partidos, dos candidatos ou de qualquer pessoa.
O professor de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro Jonas Federman avalia que o uso das novas tecnologias já terá repercussões no processo eleitoral a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos, onde o atual presidente Barack Obama usou extensivamente as redes sociais em sua campanha.
"Me parece sim que a participação democrática aumenta nesse tipo de veículo, porque é diferente de uma rede de televisão, por exemplo, que pauta e monologa, a contribuição dessas redes sociais exatamente é que não há um canal pautando e monologando, mas sim um grupo de amigos dialogando, trocando ideias e possivelmente conscientizando boa parte da população. Então, acho sim que há uma transformação na democracia, há uma transformação na Política"
A internet já é vista também por muitos parlamentares como uma ferramenta para melhorar a relação com o eleitorado e diminuir os custos das campanhas. E muitos estão usando as redes sociais para prestar contas do mandato e manter seus eleitores informados.
A deputada Rebeca Garcia, do PP do Amazonas, usa o Twitter. Com cerca de 700 seguidores, ela posta informações sobre o dia a dia do Legislativo.
"Eu costumo colocar primeiro a minha agenda: o que eu vou fazer no dia, onde eu vou estar. Eu me coloco à disposição. Às vezes estou numa comissão onde está sendo tratado um tema polêmico, eu mando um Twitter comunicando que tema polêmico está sendo falado na comissão e o que as pessoas acham a respeito daquilo. Eu acho uma ferramenta bem democrática. Você tem acesso a qualquer pessoa que esteja usando o Twitter também. Dessa maneira, muitas pessoas já conseguiram entrar em contato comigo, na mesma hora, me perguntar coisas e eu responder na mesma hora. Então, tenho usado bastante o Twitter, eu gosto da ferramenta como uma ferramenta de comunicação do parlamentar com o público e tenho ficado muito satisfeita com a resposta do público"
A própria Câmara recorreu à ferramenta para estimular a participação dos cidadãos no processo de construção das leis. O portal da Casa - www.camara.gov.br - apresenta o e-democracia, onde o internauta tem acesso a várias comunidades, cada uma sobre um projeto de lei.
Os canais de participação vão dos mais simples como a enquete e o comentário de notícia aos mais elaborados como o fórum de discussão e o wikilegis, onde a pessoa pode trabalhar no texto legal, alterando a proposta. Os cidadãos podem também sugerir novos temas para o site.
A coordenadora do portal Andréia Sampaio explica que a iniciativa, que completa um ano, já apresenta resultados positivos.
"Temos tido uma resposta super positiva, porque inclusive agora com relação ao Estatuto da Juventude, os cidadãos participaram e as sugestões foram incluídas no projeto de lei que vai ser votado na comissão especial que trata sobre o assunto. Isso é muito importante. É o primeiro projeto de lei que foi construído com base na contribuição da sociedade por meio da Internet"
Outros temas que estão abertos à discussão no portal são: a regulamentação das Lan Houses, a política espacial, a mudança do clima e o simpósio da amazônia. Para participar basta acessar o site www.edemocracia.camara.gov.br.
De Brasília, Geórgia Moraes