Reportagem Especial

O casamento - Experiências de sucesso

05/04/2010 - 00h00

  • O casamento - Experiências de sucesso

Pois é. Casamento, às vezes, não é pra sempre não. A cada quatro casamentos, é registrado um divórcio. A cada ano os números oscilam, mas a proporção se mantém mais ou menos a mesma e suscita a pergunta que todos os casados se fazem, e que os noivos se fazem mais ainda: existe segredo para um casamento feliz?

A aposentada Eloísa Horta completou no ano passado 50 anos de casada. Segundo ela, casamento não tem segredo.

"Olha, não existe uma regra, uma receita pra um casamento dar certo. Depende do casal. Em primeiro lugar, vem o amor. Sem ele não existe casamento. E a esposa deve pensar na felicidade do outro, um amor sem egóismo, você tem que pesar no bem do outro. Nem o amor verdadeiro consegue sobreviver sem generosidade, paciência, compreensão, como todo relacionamento, né? Tem que saber perdoar, ser solidário. Em resumo, o amor é uma responsabilidade,"

O casamento de Eloísa tem algumas características que o tornam bem diferente da maioria dos casamentos atuais. Ela afirma que não pode dar conselhos, mas, a partir de sua experiência, pode indicar algumas direções.

"O Túlio foi meu primeiro namorado. Não tive outros namorados. E deu muito certo. Eu não posso dar um conselho para cada um dessas pessoas. Eu tenho só uma experiência de vida. Eu acho que as pessoas precisam se preparar para relação a dois. O amor é sinônimo de doação. O casamento não é só deslumbramento, do vestido, da viagem. Casamento é responsabilidade. Você se torna responsável a dois, depois a três, a quatro, porque a família vai crescendo."

Brigas no casamento? Acredite, Eloísa Horta não sabe o que é isso. E olha que, durante a entrevista, nem eu acreditei.

"Até parece que estou inventando, mas não brigamos. Discordamos de certas coisas, mas briga não houve, nunca houve. "discussão, nunca". "Isso é raro, né?" não sei se é raro, risos..."

Eloísa Horta não gosta tanto de casamento quanto o jornalista Carlos Matzembacher. Ele se casou quatro vezes.

"O que acontece é o seguinte: cada casamento é uma história diferente. Eu acabei casando a primeira vez com a namoradinha de infância. Eu namorei cinco anos, fiquei noivo três anos e acabei casando. Depois de quatro anos e meio casado, eu me dei conta que não era aquela intensidade que eu queria na relação afetiva e acabei me separando."

Bom, e aí...

"Bom, e aí, quando a gente fica sozinho a gente cai em armadilhas porque encontra outras pessoas tão solitárias como a gente e acaba, às vezes, se envolvendo profundamente com uma pessoa que a gente não tem uma avaliação muito precisa."

O segundo casamento não durou muito, mas foi intenso enquanto durou. Carlos ficou três anos sozinho e tinha por volta de quarenta anos. Veio o terceiro casamento.

"Porque aí eu queria constituir família, coisa que até então eu ainda não tinha feito. No primeiro casamento, não tive filhos. No segundo relacionamento, eu tive filho mas não ficou comigo. Então, eu casei com aquele espírito ainda de quem vai casar a primeira vez, de quem vai casar e ter filhos."

O terceiro casamento durou 15 anos, mas a relação esmoreceu e houve a separação. Depois, Carlos se envolveu com outra mulher, mais jovem, e com ela ficou por oito anos. Ela queria ter filhos e ele não.

Apesar da larga experiência, Carlos não é a favor nem contra o casamento. Para a surpresa de alguns, talvez sua variedade de relações sempre foi estável.

"Eu sou contra a dupla posição de alguns homens, que são casados e tem relações fora do casamento. Eu sempre joguei todas as fichas dentro do casamento. Minhas mulheres sempre foram tudo pra mim: minhas amantes, minhas namoradas, minhas companheiras, minhas cúmplices. E quando se esgotou, eu achei muito mais honesto acabar com aquilo corretamente. Sou amigo de todas elas, e preferi partir para outra do que ficar com um duplo comportamento assim, ter namoradas, amantes fora do casamento. Sempre quando fui casado eu fui muito fiel às minhas mulheres."

Podemos dizer que Carlos Matzembacher se dedica fielmente ao amor. Mas, como já escreveu Vinícius de Moraes, que o amor seja eterno enquanto dure.

De Brasília, Luiz Cláudio Canuto

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