Reportagem Especial

Especial 5 - Centros de Controle de Zoonoses (08'23")

01/03/2010 - 00h00

  • Especial 5 - Centros de Controle de Zoonoses (08'23")

A cena é um clássico dos desenhos animados: o cãozinho perdido é capturado pela carrocinha e levado para um canil onde outros animaizinhos abandonados esperam pela sua sorte.

No Brasil até pouco tempo atrás o destino de cães e gatos encontrados vagando nas ruas era a câmara de gás.

Proibida por lei desde 2005, a câmara de gás não funciona mais. Atualmente os centros de controle de zoonoses só sacrificam os animais que comprovadamente não têm condições de sobreviver por estarem doentes.

Segundo os veterinários o processo é indolor porque a injeção letal é precedida de anestesia.

Em Belo Horizonte, por exemplo, desde 2005, os animais são recolhidos nas ruas, passam por um teste para saber se estão com leishmaniose visceral, tomam vacina contra raiva, são esterilizados, recebem um chip para identificação posterior e são devolvidos às ruas.

A cada semana, 50 cães passam por esse processo. Os animais permancem entre quatro e cinco dias no centro.

No caso de cães perdidos, eles ficam por cinco dias depois são soltos no local onde eles foram recolhidos.

Adamastor Santos é um dos veterinários que trabalham no centro, ele explicou como funciona essa triagem.

"Todo animal ....é 100% dependente de uma pessoa. Ele não consegue alimento na cidade. que a gente tem aqui uma coleta de lixo muito sistemática, então diminuiu um pouco a oferta de alimentos. Então geralmente esse animal de rua ele tem uma casa que um dono cuida dele.No caso do gato, especificamente ele é mais livre. Agora no caso do cachorro ele depende dessa pessoa, então a gente entendeu que esse animal ele tem alguém que cuida, por isso a gente retorna ele para a rua."

Em 2005 o centro também mudou a forma de sacrificar os animais doentes que agora recebem uma injeção letal, método considerado menos doloroso que a asfixia pela câmara de gás.

Segundo o veterinário Adamastor Santos, o controle de zoonoses resultou na ausência de casos de raiva em Belo Horizonte há 20 anos.

Entretanto, os casos de leishmaniose visceral estão se tornando fatais em humanos, por isso mesmo os cães de estimação passam pelo teste. Se constatada a doença são levados ao centro para serem sacrificados.

Adamastor alerta para o fato de que ao adquirir um animal é preciso levar em consideração as necessidades do bicho.

"Sempre que a pessoa for optar por ter um animal de estimação lembrar que esse animal é um ser vivo e por ser ser vivo ele merece uma série de cuidados. Quando você opta por ter um animal você lembrar: você mora em apartamento então não pode ser um animal muito grande. mesmo filhotinho pequeno: um são bernardo pequeninininho ele é bem pequinininho e cabe num apartamento, mas ele cresce e fica aí com setenta, oitenta quilos, então não tem condição de você ter um animal num espaço pequeno"

Em Brasília, o Centro de Controle de Zoonoses, coloca para adoção os cães que foram abandonados pelos donos.

Por mês, são recebidos 200 cães e gatos. A chefe do núcleo de animais domésticos do Centro de Controle de Zoonoses de Brasília, Sueli Duarte, destacou que uma das funções do centro é resgatar os animais das ruas ou das casas das pessoas.

"Se nós não fizermos o papel de ir lá para buscar e trazer esse cão. Quem tem como trazer sempre traz, mas quem não tem eles jogam na rua esses animais. A gente faz essa coleta quando ligam para cá "ah porque eu tenho um cão e não tenho condições de levar esse cachorro, ele está doente, então a gente vai com a carrocinha, traz esse cão para cá e ele é colocado para adoção."

Infelizmente nem todos os cães que chegam ao Centro podem ser adotados por estarem com a saúde muito debilitada, sem chances de recuperação. Um exemplo são os cães pitbulls utilizados em brigas.

Neste caso os veterinários optam pela eutanásia que é realizada com aplicação de anestesia geral e depois de uma injeção que interrompe os batimentos cardíacos.

"Nenhum animal sadio é eutanasiado, todos eles vão para doação e a gente não teve ainda nenhum que não tenha sido doado, mesmo que ele seja velhinho ou que ele tenha algum problema - porque chegam cães aqui para a gente que tem a pata quebrada por agressão dos donos, que são cães que eles botam ali no canto e nem água, nem comida ele chegam aqui muito debilitados. Eles passam pela veterinária e ela olha cada um deles, faz um período de observação por dez dias".

O centro de zoonoses de Brasília funciona todos os dias, inclusive sábados e domingos, a partir das onze da manhã e está aberto à visitação pública.

Quem quiser adotar precisa assinar um termo de adoção responsável. Quem estiver interessado em adotar um gato ou um cachorro pode entrar em contato pelos telefones (61) 3341 2456 ou 3341 1900.

A Sociedade União Internacional Protetora dos Animais, Suipa, trabalha desde 1943 na cidade do Rio de Janeiro no atendimento e no acolhimento de animais abandonados.

Izabel Cristina Nascimento é comissária de bordo aposentada e desde 1993 preside a Suipa.

Ela afirma que as denúncias em sua maioria são em relação a cães e gatos, mas há também quem denuncia a situação precária de animais em circo, zoológicos ou rodeios. Neste caso, a Suipa aciona o Ministério Público.

"O animal não-humano - eu gosto de falar isso muito porque as pessoas acham que nós não somos animais, né? Nós também somos animais, só que nós somos da espécie humana.- então os animais não-humanos eles não têm que ser propriedade de nós animais humanos. Então eles não têm que servir para entretenimento. A Suipa é uma entidade abolicionista, quer dizer, defende o direito dos animais. A gente é a favor da libertação animal."

A Sociedade defende a adoção de uma legislação federal que proíba o uso de animais em circo.

São 140 funcionários, mais de vinte veterinários. Atualmente o abrigo da Suipa que é o maior do mundo no gênero, está com quase seis mil animais. A maioria cães e gatos. Diariamente são recolhidos 60 animais.

"São animais abandonados nas ruas, a gente socorre os animais atropelados, animais baleados em todo o estado do Rio de Janeiro e são os animais que os veterinários cuidam, esterelizam e depois nós colocamos para adoção com pessoas que tenham reponsabilidade. Nós queremos uma guarda responsável e não uma posse"

Como a sociedade defende a vida, os animais não têm prazo limite para permanência e podem permancer sob os cuidados da Suipa até serem adotados ou morrerem de velhice.

Para evitar um aumento na população de rua de cães e gatos, Izabel Cristina afirma que a melhor forma é educar as pessoas para exercitarem a guarda responsável.

"Não existe mais carrocinha, não pode existir, é crueldade porque a carrocinha pega, leva e mata e isso é crime. Então o correto é educar a população a ter a guarda responsável, ter a responsabilidade de esterelizar, vacinar e não abandonar."

A Suipa atende denúncias de todos os estados brasileiros, através de e-mail.

Os interessados em adotar um cão ou um gato podem acessar a página da Suipa. www.suipa.org.br.

Para realizar a adoção é necessário morar na cidade do Rio de Janeiro, ter mais de 18 anos, preencher um questionário e levar a carteira de identidade.

De Brasília, Karla Alessandra

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