Reportagem Especial

O Brasil pós-crise - Como tudo começou (04'48")

26/10/2009 - 00h00

  • O Brasil pós-crise - Como tudo começou (04'48")

Em setembro, um ano após a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a saída do Brasil da crise financeira mundial com o crescimento de quase 2% do Produto Interno Bruto brasileiro no segundo trimestre de 2009 em relação ao início do ano.

O episódio da quebra do banco marcou o início de uma crise originada em 2001, quando o Banco Central norte-americano começou a cortar os juros para minimizar o problema da queda das ações de empresas eletrônicas.

Os juros baixos provocaram uma corrida ao mercado imobiliário por meio de hipotecas. Estes produtos eram negociados no mercado, gerando uma espiral de compradores em cima de uma dívida que começou a ficar alta demais quando os juros voltaram a subir.

Os bancos não tiveram como garantir a inadimplência e o governo dos Estados Unidos teve que agir, direcionando recursos para o sistema financeiro.

A crise se alastrou e, no Brasil, o dólar subiu e o crédito secou. O secamento do crédito foi a principal consequência mundial da crise que acabou derrubando planos de investimentos e o comércio mundial.

O diretor do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Francini, explica o que aconteceu no Brasil:

"A exportação de bens industriais cai muito fortemente e no ano de 2009. A nossa previsão é de que, comparativamente ao ano de 2008, nós devemos ter uma redução de 30% na exportação de produtos industrializados. Para te dar uma idéia, a exportação de veículos do Brasil neste ano de 2009 cai cerca de 50%".

Logo no início, porém, apesar do pessimismo, havia uma expectativa de que as coisas evoluíssem de maneira diferente no Brasil por causa da forte regulação definida para o sistema financeiro após a reestruturação bancária feita pelo governo entre 1995 e 2000.

Naquele momento, o governo criou um programa, o Proer, que injetou cerca de R$ 40 bilhões no sistema para evitar quebras. Os bancos correram riscos porque, com a estabilização da moeda, foi perdida a chamada "receita inflacionária" gerada por empréstimos de apenas um dia.

Rubens Sardenberg, economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos, dá outro exemplo da diferença entre o Brasil e os Estados Unidos:

"Você tem uma regulação mais forte do Banco Central e você não tem aqui aquela figura que, nos Estados Unidos, por exemplo, de bancos de investimento que eram bancos operando com alto grau de alavancagem; portanto com grande risco e não estavam sob supervisão do Banco Central local por conta de uma falha de regulação"

Apesar de contar com essas vantagens, o governo logo anunciou medidas para aumentar o crédito disponível e empréstimos diretos para setores como a agricultura. Também foram cortados impostos de setores como automóveis; linha branca, que são produtos como geladeiras e fogões; e construção civil.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o desempenho do país foi melhor que o de vários países:

"No segundo trimestre, nós tivemos um crescimento mais forte do que o crescimento da Índia, que é uma das economias que está tendo um dos melhores desempenhos nesta crise; que a economia da Rússia e que a maioria dos países emergentes. Só ficaram com crescimento maior do que o nosso a China, que é o país que mais cresce, e mais outros países asiáticos".

Paulo Francini chega a afirmar que a crise acabou dando um novo status ao Brasil:

"O Brasil você sabe que ganhou uma posição pós-crise que eu diria que é até uma posição relativa melhor do que antes da crise pelo fato de ter enfrentado a crise e ter tido bons resultados neste enfrentamento comparativamente a outros países. A partir daí, o Brasil passou a ser um alvo objetivo de várias empresas que vêm no seu futuro uma estrada bem razoável de crescimento e, portanto, esse fluxo de capitais de investimento direto está ocorrendo, deve aumentar, o que de certa maneira irá promover taxas de crescimento maiores para a nossa economia"

Uma das evidências deste novo status é a obtenção pelo Brasil do seu terceiro grau de investimento, dado pela agência de classificação de risco Moody´s em setembro deste ano.

O grau de investimento, a mais alta classificação destas agências, orienta investidores do mundo sobre os melhores destinos para o seu dinheiro.

De Brasília, Sílvia Mugnatto.

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