Reportagem Especial

Conheça mais sobre o programa espacial brasileiro - ( 05' 14" )

19/02/2006 - 00h00

  • Conheça mais sobre o programa espacial brasileiro - ( 05' 14" )

Na reportagem especial de ontem, que pode ser lida e ouvida no site da Câmara dos Deputados (www.camara.gov.br/Radio Câmara) falamos da importância da primeira viagem ao espaço de um astronauta brasileiro.
Na reportagem de hoje, vamos falar um pouco mais sobre o programa espacial brasileiro que poderá ser melhor divulgado à população a partir da epopéia do astronauta Marcos Pontes no espaço, a partir de 29 de março.

É o que pensa o presidente da Agência Espacial Brasileira, Sérgio Gaudenzi.

"O programa passa a ter uma visibilidade maior. É preciso que a população entenda o que é o programa espacial brasileiro. O programa precisa ser conhecido."

Nosso programa espacial embora seja o mais avançado da América Latina, ainda não incomoda países cuja indústria espacial conseguiu maior desenvolvimento.

"Estamos num patamar que não incomodamos aos países que se desenvolveram ou que estão muito na nossa frente. Não há como fazer comparação com EUA, Rússia, Ucrânia ou União Européia. Nem mesmo com China e ìndia. Já estivemos num patamar próximo. Mas o programa espacial brasileiro sofreu com a falta de recursos. Hoje a China está muito na nossa frente. Nós não incomodamos. Pelo menos ainda não incomodamos."

O programa espacial brasileiro trabalha em três segmentos básicos. O segmento de satélites, o de lançadores de foguetes e as bases de lançamento.

"No programa de satélites, desenvolvemos satélites com a cooperação de outros países, como é o caso do Cybers com a China. Estamos desenvolvemndo uma plataforma multimissão, que pode gerar diversos satélites, e é um programa inteiramente brasileiro. Começamos a desenvolver um satélite geoestacionário, que é um satélite para comunicação e meteorologia, também brasileiro. Este é um segmento que está andando bem."

No segmento de lançadores de foguetes, o país busca construir o primeiro lançador de porte maior, que é o VLS, um lançador que pode colocar equipamentos de até 300 kg em órbita.

"Hoje temos foguetes de sondagem, com uma tecnologia dominada, de muito boa qualidde. Agora vamos dar um passo acima que é o VLS, que é o veículo lançador de satélite. E temos uma sequência de lançadores projetados num grupo de lançadores que chamamos de Cruzeiro do Sul. Começaremos com o Alfa num trabalho com a Rússia, utilizando propelentes líquidos."

Mas é no terceiro segmento que reside a maior esperança de obter lucros com o programa brasileiro.

A base de lançamento de Alcântara, no Maranhão, tem uma localização privilegiada.
Sua posição geográfica é estratégica, perto da linha do Equador, que possibilita a economia de 30% no combustível utilizado para o lançamento de satélites. Isso permite vantagens competitivas em relação aos demais países que exploram esse mercado.

"Deveremos lançar um edital em 60 dias para complementar a infra-estrutura da Base de Alcântara. Poderemos em Alcântara entrar em uma fatia muito grande do lançamento de satélites, que gira em torno de 10 bilhões de dólares nos próximos oito anos. Podemos ter parte disso com a conclusão da infra-estrutura de Alcântara."

Na América Latina, o Brasil desenvolve programas de cooperação espacial com a Argentina, Peru, Chile e México.

De Brasília, Eduardo Tramarim.

O programa apresenta e aprofunda temas em debate na Câmara

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