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Estudo do Unicef aponta meninos negros e pardos como principais vítimas da violência ( 02' 45'' )

28/09/2006 - 13h00

  • Estudo do Unicef aponta meninos negros e pardos como principais vítimas da violência ( 02' 45'' )

Os governantes a serem eleitos em primeiro de outubro terão um desafio urgente: reduzir as mortes de crianças e adolescentes vítimas de homicídios. Estudo feito pelo Unicef e pelo Observatório de Favelas do Rio de Janeiro com base em dados do Ministério da Saúde e do IBGE revela que, em 2004, 4 mil 288 pessoas entre 0 e 17 anos foram assassinadas em todo o país. 85% dessas mortes se concentram na faixa etária a partir dos 14 anos, e as vítimas geralmente são meninos negros e pardos. São Paulo foi o estado que registrou mais casos de violência, seguido pelo Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e Paraná.
A oficial de projetos do Unicef e coordenadora do estudo, Helena Oliveira, destaca que os índices de homicídios contra crianças e adolescentes são muito superiores aos relacionados ao restante da população. Ela defende a necessidade urgente de ações para reversão desse quadro.

"Quando se fala em violência urbana, imediatamente se associa o adolescente como causador dessa violência, principalmente se ele for negro, pardo. Então eu acho que a gente tem que revisitar o quadro da violência urbana, entendendo que esses adolescentes não são os principais causadores da violência, mas sim as principais vítimas"

Levantamento feito pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo em 2003 comprova as palavras da especialista. De acordo com os dados, menos de 3% dos homicídios dolosos e menos de 10% dos atos criminosos registrados no estado foram cometidos por adolescentes.
Além de uma mudança no olhar sobre os adolescentes, a oficial do Unicef defende ações preventivas para reduzir o número de assassinatos contra esta faixa etária, como o combate à violência doméstica e a integração das políticas públicas já existentes.

"Nós estamos perdendo nossas crianças não mais por doenças, ou por questões endêmicas, vacinações, mas por causas externas. São mortes evitáveis, em que podemos atuar em prol da vida da criança e do adolescente e revertendo efetivamente, construindo uma política mais integrada"

A oficial de projetos do Unicef destaca que quanto mais acirrada a desigualdade socioeconômica, mais vulneráveis ficam as crianças e adolescentes. Dados da Rede de Monitoramento Amiga da Criança indicam que os asassinatos de jovens aumentaram 82% no Brasil entre 1990 e 2002. Os principais candidatos à Presidência da República assinaram o termo de compromisso "Presidente Amigo da Criança", no qual se comprometem a reduzir esses índices.

De Brasília, Mônica Montenegro

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