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Deputada apresenta nesta terça-feira relatório sobre morte de crianças indígenas - ( 01' 42" )

18/04/2005 - 20h00

  • Deputada apresenta nesta terça-feira relatório sobre morte de crianças indígenas - ( 01' 42" )

A deputada Perpétua Almeida, do PCdoB do Acre, relatora da comissão externa criada para analisar a mortalidade de crianças indígenas guarani-kaiowá no município de Dourados, Mato Grosso do Sul, vai sugerir que o governo intensifique as ações na área. O relatório preliminar da deputada vai ser apresentado nesta terça-feira ao integrantes da comissão. Na avaliação da relatora, a atuação da Funai e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) na região é, às vezes, precária. Daí, a necessidade, segundo ela, de equipes dos dois órgãos trabalharem juntas e de forma emergencial no local, até que o quadro de desnutrição entre os índios se torne menos grave. Desde o início do ano, 21 crianças indígenas morreram ali em decorrência de uma alimentação deficiente. Perpétua Almeida, que visitou com outros parlamentares da comissão externa os índios em Dourados, destaca também a necessidade de ampliação das terras desses povos.

"Isso é necessário. Não dá para deixar aquela comunidade vivendo naquele espaço de terra. Eles estão, de certa forma, confinados ali. São mais de 11 mil indígenas num espaço pequeno de terra, onde eles não conseguem sequer os recursos necessários para a área de saúde, onde as pessoas que estão lá cuidando da área de saúde não estão treinadas suficientemente, não tem médico suficiente."

A Funai admite que a falta de espaço e o aumento populacional são os principais motivos da desnutrição entre as crianças em Dourados, já que, sem terra suficiente, os índios não conseguem plantar. Segundo a fundação, das 22 áreas Guarani-Kaiowá demarcadas em Mato Grosso do Sul, 13 são questionadas na Justiça, o que impede a homologação da reserva. Nesta segunda, lideranças indígenas de mais de 30 etnias, inclusive guaranis, encontraram-se com a deputada Perpétua Almeida e com o deputado Eduardo Gomes, do PSDB de Tocantins. Os líderes informaram que problemas com a saúde indígena existem em diversos estados. Para melhorar o quadro, eles defendem que a saúde e a educação indígenas voltem a ser de competência da Funai, como acontecia até a década de 80. Segundo os índios, o órgão entenderia melhor a realidade das diversas etnias.

De Brasília, Ana Raquel Macedo

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