Rádio Criança

Jovens carentes pedem fim do trabalho infantil ( 3' 22'' )

14/12/2004 - 00h00

  • Jovens carentes pedem fim do trabalho infantil ( 3' 22'' )

"Senhor presidente, gostaríamos que o senhor voltasse às ruas e visse a realidade de hoje, principalmente em se tratando do futuro das crianças e dos adolescentes. O senhor se lembra de quando era pequeno? Como o senhor se sentia quando era uma criança pobre e trabalhadora? Eu tenho certeza de que não gostava. Pelo o que o senhor passou na infância deve saber o que é passar fome, não ir à escola, não praticar esportes, não brincar! Naquela época, ninguém tomou atitudes sérias. É hora de você mudar essa situação."

Com essas palavras, o menino Cosme de Oliveira Júnior, de 11 anos, pediu, nesta segunda-feira, ao presidente Lula, mais empenho do governo para erradicar no Brasil a exploração da mão-de-obra infantil. Ainda são aproximadamente 3 milhões de crianças e adolescentes no mercado de trabalho, de acordo com informações do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil.
Cosme mora em Conceição do Coité, zona rural da Bahia. Começou a trabalhar nos campos de sisal com 5 anos de idade e só parou aos 9 anos, depois que o pai arrumou um emprego melhor.
Ele e outras crianças e adolescentes estiveram em Brasília, nesta segunda-feira, para um encontro com o presidente Lula. Os jovens fazem parte da Caravana Nacional contra o Trabalho Infantil, que, durante 5 meses, percorreu todo o país. Em todos os estados, eles estiveram com os governadores que assinaram uma carta se comprometendo a implantar políticas públicas para acabar com a exploração da mão-de-obra infantil em suas regiões.

O presidente Lula também assinou o termo. Em seu discurso, o presidente da República disse que, na época em que também trabalhou nas ruas, vendendo tapioca e amendoim, na década de 50, a situação era melhor porque havia menos violência. Agora, a criança sofre um risco maior de se envolver com o narcotráfico e com a exploração sexual infantil. O presidente Lula afirmou que a solução desse problema não é apenas uma questão de disponibilizar mais recursos para o setor. É preciso, segundo ele, organizar o cadastro de todas as pessoas que realmente necessitam de ajuda. As sugestões apresentadas pelas crianças também serão observadas pelo Legislativo, como garante o deputado Almir Sá, do PL de Roraima, que esteve na cerimônia.

Sonora:" Esses resultados vêm ao Executivo e vão ao Legislativo. Pode surgir uma legislação do próprio Parlamento, através da iniciativa parlamentar, como poderá vir também das ações do Executivo. Portanto, nós estamos acompanhando todas as ações e vamos verificar quais são as melhores alternativas - poderá ser do Executivo, mas também nós como parlamentares podemos dar encaminhamento ao presidente da Câmara ou através de projeto de lei."

O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, disse que o governo está buscando a ampliação do PET - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e sua integração com o Bolsa Família.
Ele informou que o PET, que atende hoje 930 mil crianças, já conta com recursos para ampliar o atendimento, no ano que vem, para 1 milhão de crianças. O ministro disse também que conta com o apoio dos parlamentares que, por meio das emendas parlamentares, poderão ajudar a ampliar os recursos para o Programa.

De Brasília, Poliani Castello Branco

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