Rádio Criança
Especial : Obesidade Infantil 2 ( 5' 13" )
07/12/2004 - 13h51
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Especial : Obesidade Infantil 2 ( 5' 13" )
TEC/ Trilha
O aumento de peso da população infanto-juvenil, devido especialmente a um hábito de vida mais sedentário e a uma alimentação desequilibrada está alcançando índices preocupantes. Especialistas reunidos este ano em Cancún, no México, no 14º Congresso Internacional de Pediatria, revelaram que 35%, entre os dois bilhões de crianças e adolescentes existentes no mundo, estão com sobrepeso ou obesidade. Em países como Itália, Estados Unidos e Portugal, os índices superam 30% da população infanto-juvenil.
TEC/ Desce BG
Em 1989, quando 192 países assinaram a Convenção sobre os Direitos da Criança, em Genebra, na Suíça, essa preocupação foi manifestada e incluída no tratado internacional. O documento recomenda aos países signatários que adotem programas globais sobre nutrição e saúde infantil, a fim de reduzir os riscos associados à obesidade e a outras formas de má nutrição.
A representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Marie Pierre Poirier, afirma que o acompanhamento nutricional e o carinho são fundamentais para o bom desenvolvimento da criança.
Sonora: “Dentro dessa perspectiva, a obesidade denota uma necessidade de estar muito mais preocupado sobre como essa criança está sendo tratada, como está o direito à comida de qualidade e carinho que recebe ou não. Os dois assuntos do peso baixo e da obesidade são na verdade dois lados muito relacionados ao problema nutricional da criança e ao fenômeno da pobreza também”.
Nos Estados Unidos, a obesidade tanto em crianças quanto em adultos vem sendo tratada como problema de saúde pública. A população, no entanto já está pressionando as autoridades a realizarem campanhas pela mudança no comportamento da indústria de alimentos e na dieta nutricional de crianças e adolescentes. A sociedade norte-americana está percebendo a conexão entre o estilo de vida adotado e os problemas de sobrepeso e obesidade da população.
A musicista Rejane Pacheco está há três meses na capital norte-americana, Washington, e considera excêntrico o padrão alimentar do norte-americano. Ela disse que lá, alimentos com alto teor de proteína como as carnes são muito mais caros e que verduras e legumes fresquinhos não são tão fáceis de encontrar como no Brasil. Rejane afirma que isso dificulta a adoção de uma alimentação mais equilibrada, especialmente para a dieta nutricional de seu filho ... de um ano e três meses de idade.
Sonora:“Suco natural é inviável, caríssimo. A gente não consegue achar, não encontra a fruta, então é inviável. Eles têm muito concentrado e nesses concentrados têm adicionais de cálcio, adicionais para reduzir o colesterol, uma série de coisas. Espero em Deus que tudo isso tenha pelo menos um pouquinho de vitamina C. Tanto que eu estou dando um complemento de vitamina C para o meu filho, porque no Brasil ele tomava muito suco natural, aqui não está tendo como”.
A Associação Americana de Psicologia fez uma pesquisa associando o aumento da incidência de obesidade infantil à exposição das crianças à propaganda. Comerciais que incentivam o consumo de balas, doces, salgadinhos de pacote e outras guloseimas chamadas de "junk food". Essa co-relação foi verificada também em pesquisa realizada pelo Observatório de Políticas de Segurança Alimentar da Universidade de Brasília. A pesquisadora do núcleo de estudos da UnB, Janine Giubert Coutinho, comenta o poder de sedução das guloseimas e das propagandas sobre as crianças.
Sonora: "A questão da sedução. Eu quero chamar a atenção, porque a gente fez uma pesquisa aqui na UnB que averiguou que tipos de vendas promocionais eram veiculadas junto com os alimentos infantis. Então a gente pode perceber que os alimentos infantis eles são vendidos, a gente chama isso de vendas promocionais, junto com figurinhas, as tatuagens, as mágicas, os cards que seduzem as crianças. Um dado que a gente pôde constatar e que é super-interessante nessa pesquisa é que a maior parte das vendas promocionais elas formam coleções. Então isso ta induzindo a compra do produto mais de uma vez”.
A pesquisa revelou ainda, segundo a nutricionista Janine Coutinho, que 80% dos salgadinhos de pacote são colocados nos supermercados em prateleiras abaixo de 1m20 de altura, ao alcance das crianças. Em muitos países o Estado está assumindo o papel de regular a indústria de produtos alimentícios e de publicidade. Países como o Canadá, especificamente na região de Quebec, a Suécia e a Noruega já baniram esse tipo de propaganda. Em outros países há horários específicos para a veiculação desse tipo de comercial.
As iniciativas do Poder Público no Brasil diante do problema, os cuidados com a merenda escolar e a busca de uma alimentação balanceada você acompanha na terceira e última reportagem da série sobre obesidade infantil.
TEC/ Trilha sobe e desce BG
De Brasília, Adriana Romeo