Rádio Criança
Especial: Obesidade Infantil 1
06/12/2004 - 00h00
-
Especial: Obesidade Infantil 1
Tec/ Trilha
Não há muito tempo, uma criança gorduchinha era sinônimo de criança saudável e forte, um conceito levado de geração em geração. Mas os conceitos e os mitos vêm mudando. Vocês se lembram da fábula em que João e Maria se perdem na floresta e encontram uma casinha feita de biscoitos, balas e doces?
A historinha mostra como as guloseimas são capazes de seduzir as crianças, mas a realidade revela como essa sedução pode tirar o sono de pais, nutricionistas e psicólogos.
TEC/ Vinheta ..risada da bruxa...
Mas como o mundo não é tão doce quanto a casinha da história infantil, na vida real a luta para ter saúde, não engordar e se adequar ao padrão social é uma batalha diária e difícil, que requer maiores cuidados do que o simples fechar a boca, como era ditado antigamente. Vencer a bruxa da obesidade requer, acompanhamento médico, psicológico, alimentação balanceada e atividade física.
TEC/ Passagem ...
Para o chefe do Departamento de Obesidade Infantil da Associação para Estudos da Obesidade (Abeso), Natanael Viuneski, é preciso muito carinho ao tratar do assunto, porque o resultado das fragilidades emocionais dos obesos é visível. É preciso cuidar do problema, dissociando a obesidade da imagem da bruxa, de forma a evitar mais discriminação, afirma Natanael Viuneski.
Sonora: "Então na verdade nós temos que combater a obesidade e não combater obeso. É apoiar essa criança e esse adolescente que está com excesso de peso para que ele resgate a sua auto-estima, a sua auto-imagem e se sinta valorizado para que queira ser cada vez mais saudável. Nesse sentido é que tem que ser uma campanha e não uma campanha de terror ou de caça às bruxas".
Quando uma criança ou um adulto é gordo, ele geralmente carrega sentimentos muito íntimos de inadequação, de insatisfação consigo mesmo. Esses sentimentos são ingeridos junto com comida, causando mais sobrepeso, aumentando a angústia, a ansiedade e os sentimentos negativos que essa pessoa tem de si, numa espécie de círculo vicioso. Por isso, a obesidade é encarada hoje cientificamente como uma doença crônica que precisa ter prevenção e controle.
(TEC/Passagem)
O Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizou uma pesquisa com 10 mil e 800 alunos de escolas públicas e particulares de Santos, litoral paulista. A pesquisa revelou que 18% das crianças entre 7 e 10 anos estão acima do peso. Os especialistas estimam que 40% das crianças e 80% dos adolescentes com sobrepeso serão adultos obesos também. Os casos triplicaram nos últimos 25 anos.
Para a nutricionista e professora do Departamento de Pediatria da Unifesp, Iza de Pádua Cintra, o aumento da incidência e da intensidade do sobrepeso na infância é uma tendência muito perigosa e está diretamente associada ao estilo de vida da criança e dos pais.
Sonora: "O que a gente tem visto associado à obesidade tanto na infância quanto na adolescência não é devido a alteração hormonal. É principalmente com relação aos fatores ambientais. Então, o sedentarismo, o aumento do consumo de alimentos industrializados, com alta concentração de gorduras e de carboidratos simples, além do fator emocional também que está bem associado"
Para os psicólogos, esse fator emocional é um ponto indispensável para se procurar entender a causa compreender a causa do problema de obesidade na infância. Em sua tese de mestrado pela Unifesp, a psicóloga Patrícia Vieira Spada relacionou o problema da obesidade infantil com a falta de carinho materno e o baixo grau de instrução da mãe. Ela explica que as crianças obesas confundem as sensações de fome, com solidão, tristeza e rejeição.
Sonora: "Se a relação da mãe com a criança tem uma boa qualidade, ela pode estar mais atenta na questão da alimentação versus afeto com a criança. Daí ela consegue discernir internamente e consegue ajudar a criança também a lidar com as suas próprias emoções, de forma que ela não precise entrar com a alimentação no lugar de outras coisas".
Essa confusão aumenta, segundo a psicóloga Patrícia Spada, quando a mãe usa a guloseima como forma de compensar a dificuldade que tem de dar amor ou atenção ao filho. Isso não significa, no entanto, que toda criança obesa tem problema de afeto maternal, mas o estudo indica uma grande correlação emocional entre mãe, filho e a comida.
TEC/ Trilha
Na segunda reportagem especial sobre obesidade infantil nós vamos falar sobre a relação entre a propaganda de alimentos e o excesso de peso das crianças, uma preocupação em vários países do mundo.
De Brasília, Adriana Romeo